90% dos canais com discurso misógino continuam ativos no YouTube, diz UFRJ

A Misoginia no YouTube: Uma Análise Preocupante dos Canais de Ódio

Recentemente, um estudo realizado pelo NetLab da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) trouxe à tona uma realidade assustadora sobre a presença de conteúdo misógino no YouTube. Em 2024, foram identificados 137 canais que promovem discursos de ódio, desprezo e aversão às mulheres, dos quais 123 ainda estão ativos na plataforma. O mais alarmante é que esses canais não apenas permanecem funcionais, mas também cresceram em popularidade, com um aumento de 18,55% no número de inscritos, totalizando mais de 23 milhões de seguidores. Isso levanta questões importantes sobre o que está acontecendo na plataforma e o que isso significa para a sociedade.

A Monetização da Misoginia

O relatório intitulado “Aprenda A Evitar ‘Esse Tipo’ De Mulher”: Estratégias Discursivas E Monetização Da Misoginia No Youtube” revelou que, além do crescimento no número de inscritos, pelo menos 20 canais mudaram seus nomes para evitar associações diretas com a chamada “machosfera”, que é um termo usado para descrever uma subcultura que promove a misoginia. Essa mudança de nome sugere uma tentativa de camuflar suas verdadeiras intenções e continuar a ganhar dinheiro com a propagação de conteúdos que incitam o ódio contra as mulheres.

O Crescimento Acelerado do Conteúdo Misógino

Os números são ainda mais alarmantes quando observamos a quantidade de vídeos publicados. Em 2026, foram registrados pelo menos 25 mil vídeos a mais do que em 2024, totalizando cerca de 130 mil publicações que contêm esse tipo de informação perturbadora. Durante o período inicial da pesquisa, 14 canais foram removidos da plataforma, mas mesmo assim, esses canais somavam cerca de 1,40 milhão de seguidores. Isso levanta uma questão crucial: como podemos proteger as mulheres da violência digital em um ambiente onde o conteúdo misógino parece estar prosperando?

Como a Pesquisa Foi Realizada

A pesquisa foi conduzida em colaboração com o Ministério das Mulheres e focou nas estratégias de monetização dos criadores de conteúdo que usam falas misóginas. A equipe de pesquisa analisou como esses canais geravam lucro, tanto por meio de anúncios quanto através de arrecadação de recursos com membros. Para isso, foram utilizadas técnicas avançadas de análise computacional e qualitativa, baseadas em uma extensa revisão da literatura sobre misoginia e violência de gênero no ambiente digital.

Metodologia e Ferramentas Utilizadas

Para identificar esses conteúdos problemáticos, o levantamento de dados se utilizou de ferramentas de inteligência artificial, analisando mais de 76 mil publicações. Essa abordagem multidisciplinar é essencial para compreender a extensão do problema e encontrar formas de combatê-lo. No entanto, é importante destacar que, por questões de segurança das pesquisadoras, a lista dos canais mapeados não foi divulgada. Isso visa evitar a exposição dos criadores de conteúdo e a disseminação de seus vídeos.

Reflexões Finais

Os dados apresentados pelo estudo são um chamado à ação. A crescente popularidade de canais que disseminam mensagens de ódio e misoginia é um reflexo de uma sociedade que ainda luta com questões de igualdade de gênero e respeito às mulheres. Com base nas informações coletadas, é fundamental que haja um esforço conjunto entre plataformas, governos e sociedade civil para enfrentar essa questão de frente.

Como Podemos Fazer a Diferença?

  • Educação: É vital promover a educação sobre igualdade de gênero desde cedo, para que as novas gerações cresçam com uma mentalidade mais inclusiva.
  • Denúncia: Os usuários da plataforma devem ser incentivados a denunciar conteúdos e canais que promovem discurso de ódio.
  • Suporte a Iniciativas Positivas: Apoiar criadores de conteúdo que promovem mensagens de empoderamento e respeito às mulheres.

Concluindo, a luta contra a misoginia no YouTube e em outras plataformas digitais é uma tarefa que requer a participação de todos. Precisamos nos unir para garantir que o espaço virtual seja seguro e respeitoso para todos, especialmente para as mulheres.



Recomendamos