Agustin afirma que programa foi gravado, mas Janja proibiu exibição no SBT

O maquiador e empresário Agustin Fernandez voltou ao centro de uma polêmica que mistura televisão, política e bastidores do poder. Em um desabafo feito nesta segunda-feira (15), nas redes sociais, ele afirmou que sua participação no Programa Silvio Santos simplesmente não foi exibida após um suposto pedido da primeira-dama Janja da Silva. A revelação surgiu em meio ao barulho recente envolvendo a presença do presidente Lula e do ministro Alexandre de Moraes em um evento do SBT, fato que gerou críticas e debates nas redes.

Segundo Agustin, a gravação aconteceu normalmente. Ele esteve nos estúdios, participou da atração apresentada por Patrícia Abravanel, tirou fotos e viveu o ritual padrão de qualquer convidado do programa. No entanto, o episódio nunca foi ao ar. Na época, ele conta que estranhou, mas seguiu a vida. Só meses depois, com o clima político mais inflamado e as filhas de Silvio Santos sendo alvo de ataques por conta da aproximação com figuras do governo, a história voltou à tona.

“Eu gravei o Programa Silvio Santos, mas curiosamente ele nunca foi exibido”, escreveu Agustin, publicando inclusive uma imagem feita nos bastidores da gravação. O tom não era de acusação direta, mas de perplexidade. Afinal, segundo ele, ninguém da produção deu explicações claras sobre o sumiço do material.

Com o passar do tempo, o maquiador decidiu investigar por conta própria. Foi aí que, segundo seu relato, ouviu uma versão ainda mais pesada. De acordo com Agustin, uma pessoa de confiança, que transita entre o meio político e o ambiente da emissora, teria afirmado com convicção que a exibição foi vetada. O motivo? Um suposto pedido da primeira-dama.

Em um trecho que repercutiu bastante, Agustin se referiu a Janja como “deslumbrada”, termo que causou forte reação nas redes. Ele afirmou que essa pessoa ligada ao meio “direita–Bolsonaro–SBT” garantiu que a ordem teria vindo de cima, justamente por conta de suas posições políticas e, principalmente, de sua proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Mas a história não pararia por aí. Segundo Agustin, além do veto à exibição do programa, teria havido um pedido para que sua vida pessoal e profissional fosse “revirada”. A intenção, sempre de acordo com o relato dele, seria encontrar algo que pudesse ser associado negativamente à imagem de Michelle, já que os dois mantêm uma relação próxima de amizade.

“Se achassem qualquer coisa, automaticamente isso seria ligado à Michelle, pelo fato de sermos amigos”, explicou. O maquiador garantiu que nada de irregular foi encontrado. Nenhum escândalo, nenhum detalhe comprometedor. Nada.

Mesmo assim, Agustin deixou claro que encara toda essa história com desconfiança. Em um tom mais reflexivo, ele admitiu que, por muito tempo, achou que tudo não passava de um delírio, uma teoria exagerada criada no calor da polarização política que domina o país. “Eu juro pelo mais sagrado que achei que essa história fosse coisa da minha cabeça. Eu espero que seja”, escreveu.

O caso surge num momento delicado para o SBT, que tem sido cobrado por parte do público por suposta aproximação com o governo federal, enquanto outra parcela defende a emissora e pede menos radicalismo. Verdade ou não, o relato de Agustin escancara como os bastidores da TV brasileira seguem sendo influenciados por disputas políticas, egos inflados e versões que, muitas vezes, nunca serão totalmente esclarecidas.



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