Alexandre de Moraes autoriza visitas de parlamentares do PL a Bolsonaro na Papudinha

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba visitas de parlamentares do Partido Liberal (PL) enquanto permanece detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, mais conhecido como Papudinha. A decisão foi tomada nos últimos dias e acabou movimentando, mais uma vez, o noticiário político em Brasília, que já vinha quente mesmo antes do carnaval.

Segundo o despacho do ministro, os senadores Bruno Bonetti e Carlos Portinho estão autorizados a visitar Bolsonaro no dia 18 de fevereiro, logo após o feriado carnavalesco. As visitas, porém, não acontecerão ao mesmo tempo. Cada um terá um horário específico, previamente definido, seguindo regras impostas pelo STF. A ideia, de acordo com pessoas próximas ao caso, é evitar qualquer tipo de reunião coletiva ou articulação mais ampla dentro da unidade prisional.

Já os deputados federais Nícolas Ferreira e Ubiratan Sanderson poderão se encontrar com o ex-presidente alguns dias depois, no dia 21 de fevereiro. Assim como no caso dos senadores, os horários também serão separados. Nada de encontro em grupo, nem foto conjunta. Mesmo assim, aliados de Bolsonaro consideram as visitas um sinal claro de que ele continua tendo peso político, apesar da condenação.

Nícolas Ferreira, inclusive, ganhou ainda mais visibilidade nas últimas semanas. O deputado foi um dos organizadores da chamada “Caminhada da Paz”, uma mobilização que durou quase seis dias e percorreu diferentes pontos do país. O protesto teve como uma de suas principais bandeiras a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, além de duras críticas ao Supremo Tribunal Federal. O movimento dividiu opiniões, como quase tudo na política brasileira hoje em dia.

Dentro do PL, as visitas são vistas como estratégicas. Mesmo preso, Bolsonaro segue sendo consultado sobre decisões importantes do partido. Um exemplo citado por dirigentes da legenda foi a definição do senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. A decisão, segundo relatos de bastidores, teria sido amadurecida após conversas realizadas justamente na Papudinha, durante encontros autorizados pela Justiça.

Para aliados mais próximos, Bolsonaro tenta manter uma rotina mínima de articulação política, lendo notícias, recebendo parlamentares e discutindo cenários futuros. Eles dizem que o ex-presidente se mostra preocupado com os rumos do país, com o avanço de pautas no Congresso e também com o desgaste de sua própria imagem, algo que, segundo eles, só poderá ser revertido com o tempo. Se isso vai funcionar, aí já é outra história.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão e cumpre pena em regime inicialmente fechado. Ele está detido na Papudinha desde o dia 15 de janeiro, quando foi transferido da Superintendência da Polícia Federal. A mudança de local gerou comentários, especulações e até protestos pontuais de apoiadores, mas acabou sendo tratada como um procedimento normal pelas autoridades.

Enquanto isso, Brasília segue seu ritmo estranho: metade da cidade ainda comentando o carnaval, a outra metade de olho nas próximas decisões do STF e nos movimentos do Congresso. No meio disso tudo, Bolsonaro continua sendo um personagem central, mesmo atrás das grades. Gostando ou não dele, é difícil negar que seu nome ainda pesa no jogo político. E, pelo visto, continuará pesando por um bom tempo, mesmo com algumas portas oficialmente fechadas.



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