Após ocorrido envolvendo Lula no Carnaval, Janja não fica calada e solta os “cachorros”: ‘os covardes’

Na última quarta-feira (18), a primeira-dama Rosângela da Silva, mais conhecida como Janja, resolveu se pronunciar sobre um assunto que ainda estava atravessado na garganta de muita gente do samba: o resultado da apuração do Carnaval do Rio. A contagem das notas acabou rebaixando a Acadêmicos de Niterói, que tinha levado para a avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A escola desfilou no domingo anterior, na tradicional Marquês de Sapucaí, palco sagrado do samba carioca. O tema apresentado foi “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Um enredo carregado de simbolismo, referências políticas e emoção. Mas, apesar da energia na avenida e da proposta ousada, as notas dos jurados não foram suficientes para manter a agremiação na elite. Resultado: queda para a Série Ouro. Um balde de água fria.

Janja, que já demonstrou em outras ocasiões que acompanha de perto os acontecimentos culturais e políticos do país, usou as redes sociais para comentar o desfecho. Nos stories do Instagram, publicou uma imagem das agremiações enquanto tocava ao fundo o samba-enredo apresentado pela escola. Foi um gesto simples, mas que claramente indicava apoio.

Logo depois, ela compartilhou uma mensagem da própria Acadêmicos de Niterói. A frase era direta e provocativa: “A arte não é para os covardes”. A postagem foi interpretada como um recado — daqueles que não precisam de muitas palavras pra serem entendidos. Num momento em que o Carnaval tem sido palco de debates políticos e culturais cada vez mais intensos, a frase ganhou ainda mais peso.

O desfile, que já vinha gerando comentários desde a concentração, trouxe referências explícitas ao Partido dos Trabalhadores. O coro “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” ecoou forte na Sapucaí, arrancando aplausos de parte do público e críticas de outra. O número eleitoral do partido também foi citado em dois momentos do samba. Não foi sutil, nem tinha a intenção de ser.

Além disso, a apresentação fez menções à própria primeira-dama e ao filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. A obra, que recentemente voltou a ser comentada nas redes e em rodas de conversa por causa de premiações e debates culturais, apareceu como símbolo de resistência e memória — elementos que também estavam no coração do enredo.

O rebaixamento da escola reacendeu discussões antigas: até que ponto a política deve ocupar espaço na avenida? Para alguns, o Carnaval sempre foi território de crítica social, de denúncia e de posicionamento. Para outros, misturar partido e samba é forçar a barra. E assim segue o debate, ano após ano.

Fato é que a Acadêmicos de Niterói não conseguiu convencer plenamente o corpo de jurados nos quesitos avaliados. Evolução, harmonia, fantasia, alegorias… tudo entra na conta. E quando a soma final não fecha, não tem discurso que mude o placar.

A manifestação de Janja, ainda que breve, mostrou alinhamento com a proposta da escola. Num cenário político em que cada gesto é observado com lupa, até um story de poucos segundos vira manchete. E virou.

No meio de tanta polarização, o Carnaval de 2026 acabou mostrando que a avenida continua sendo espaço de disputa simbólica. Entre plumas, paetês e carros alegóricos gigantes, também cabem narrativas, versões da história e posicionamentos. Pode agradar uns, desagradar outros — mas dificilmente passa despercebido.

E assim, entre notas, sambas e stories de Instagram, a quarta-feira terminou com mais um capítulo dessa mistura bem brasileira de política e festa. Afinal, no Brasil, até o Carnaval é assunto sério. Ou quase isso.



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