Após o rompimento público de Zezé Di Camargo com o SBT, a emissora resolveu se mexer rápido para conter a crise que tomou conta das redes sociais e dos bastidores da TV. Em meio às críticas duras feitas pelo cantor à presença do presidente Lula (PT) na estreia do SBT News, o canal decidiu convidar o senador Flávio Bolsonaro (PL) para participar do Programa do Ratinho, exibido na noite desta segunda-feira (15/12). A informação foi divulgada pelo colunista Flávio Ricco, do portal Leo Dias, e caiu como uma bomba logo nas primeiras horas do dia.
Segundo a apuração, o convite partiu do próprio Ratinho, que teria ligado pessoalmente para o senador logo cedo, ainda pela manhã. Flávio Bolsonaro aceitou praticamente na hora, sem muita conversa, e já seguiu para São Paulo para marcar presença no programa. Nos corredores da emissora, a avaliação é de que o gesto não foi apenas coincidência de agenda, mas sim uma resposta direta ao climão criado após as declarações de Zezé.
Tudo isso aconteceu no mesmo dia em que o sertanejo anunciou, publicamente, que romperia com o SBT. Além disso, ele afirmou que pediria a retirada de sua participação do tradicional especial de Natal da emissora, algo que sempre teve peso simbólico para o canal e para o público mais conservador. Zezé acusou o SBT de ter mudado completamente seu posicionamento político ao abrir espaço para Lula e também para ministros do Supremo Tribunal Federal durante o evento de lançamento do novo telejornal.
No vídeo que circulou nas redes, o tom do cantor foi visivelmente exaltado. Em alguns momentos, ele parecia falar mais como cidadão indignado do que como artista. E foi aí que a fala ganhou ainda mais repercussão. Zezé não poupou palavras ao criticar a atual gestão do SBT, hoje comandada pelas filhas de Silvio Santos desde a morte do apresentador, em 2024. A ausência do fundador, aliás, é apontada por muitos como um divisor de águas dentro da emissora.
“Amo o SBT, tenho o maior carinho, mas eu acho que vocês estão, desculpe, prostituindo. Eu não faço parte disso”, disparou o cantor, em um trecho que viralizou rapidamente. A frase dividiu opiniões. De um lado, fãs que apoiaram a postura firme e ideológica do sertanejo. Do outro, internautas que acharam exagerado e até desrespeitoso o ataque direto às herdeiras de Silvio.
A reação do SBT, ao trazer Flávio Bolsonaro para um de seus programas mais populares, foi vista por muitos como um recado claro: a emissora tenta mostrar que ainda há espaço para diferentes vozes e que não abandonou completamente o público conservador, que sempre foi fiel ao canal. O Programa do Ratinho, conhecido pelo tom popular e pelas discussões acaloradas, acabou se tornando o palco ideal para esse contraponto político.
Nos bastidores, o clima ainda é de incerteza. Funcionários evitam falar abertamente, mas admitem que a repercussão pegou todos de surpresa. O momento é delicado, principalmente em um cenário onde política, mídia e entretenimento estão cada vez mais misturados. Basta ver o que acontece em outras emissoras, como a Globo e a Record, que também vivem seus próprios dilemas nesse campo.
Enquanto isso, Zezé Di Camargo segue sendo assunto nas redes, nos programas de fofoca e nos grupos de WhatsApp. Se a intenção era provocar debate, ele conseguiu. Resta saber se esse rompimento será definitivo ou se, mais pra frente, haverá espaço para algum tipo de reconciliação. Na televisão brasileira, como a gente sabe, nada é tão definitivo assim.