Na manhã desta terça-feira (27), a tranquilidade da volta às aulas foi quebrada por uma cena de puro horror em Minneapolis, no estado de Minnesota. A Escola Católica da Anunciação, que atende crianças pequenas do primário, virou palco de uma tragédia que dificilmente vai ser esquecida tão cedo. Um atirador, identificado como Robin Westman, entrou fortemente armado com a clara intenção de causar o máximo de destruição possível.
Era um dia que deveria ser de festa, de recomeço, porque a comunidade escolar estava reunida para uma missa especial marcando o retorno das férias de verão. Foi exatamente nesse momento, enquanto alunos e professores estavam na capela, que os tiros ecoaram do lado de fora do prédio. De acordo com o jornal local Star Tribune, o atirador não apenas abriu fogo com uma arma semiautomática, como também lançou spray de pimenta pelas janelas, aumentando ainda mais o pânico.
Um pai de aluno, entrevistado por uma rádio comunitária, descreveu a cena como “caótica, coisa de filme de terror”, dizendo que mal conseguia acreditar no que estava acontecendo diante dos próprios olhos.
Segundo a polícia de Richfield, o criminoso carregava um verdadeiro arsenal: um rifle semiautomático, uma espingarda e também uma pistola. O resultado foi devastador. Pelo menos duas crianças, de apenas 8 e 10 anos, morreram dentro da igreja, enquanto ainda rezavam nos bancos. Outras vinte ficaram feridas, algumas em estado grave, e foram levadas às pressas para o hospital pediátrico Children’s Minnesota.
O prefeito Jacob Frey falou rapidamente à imprensa, visivelmente abalado. Disse que a cidade “chora junto com as famílias” e que medidas de segurança precisarão ser reforçadas, embora todos saibam que tragédias assim têm se repetido nos EUA com uma frequência assustadora. Só para comparar, esse já é o 45º ataque em escolas americanas só em 2025, segundo dados atualizados do Gun Violence Archive.
O atirador foi abatido pela polícia pouco depois. Embora a identidade não tenha sido confirmada oficialmente pelas autoridades, jornalistas e internautas logo revelaram o nome: Robin Westman, descrito como ativista transgênero. Perfis de redes sociais atribuídos a ele mostravam mensagens perturbadoras e imagens posando com armas. Algumas das frases que circulam nas redes são de ódio explícito: “Para as crianças”, escrito ao lado de risadas; “Mate Trump agora”; “6 milhões não foram o suficiente”, numa clara referência antissemita ao Holocausto.
Um vídeo publicado no TikTok ainda nesta madrugada teria mostrado páginas de um caderno com um manifesto. Ali, Westman falava abertamente sobre exterminar judeus e cristãos. Em uma das imagens, ele chega a esfaquear uma folha de papel onde havia desenhado o mapa de uma igreja — que muitos acreditam ser a própria capela da Escola da Anunciação.
A instituição atende cerca de 374 crianças, do jardim de infância até a oitava série. E justamente nessa semana os pequenos estavam retornando cheios de expectativa depois das férias de verão. A tragédia, portanto, pegou todos desprevenidos.
Pais, professores e vizinhos se reuniram do lado de fora da escola, muitos em lágrimas, outros em choque, tentando entender como alguém poderia planejar algo tão brutal contra crianças indefesas. “É um pesadelo que a gente sempre vê na TV, mas nunca imagina que vai bater na nossa porta”, comentou uma moradora do bairro.
Enquanto isso, discussões sobre controle de armas e o avanço de discursos de ódio voltam a ganhar força nos EUA. Não é de hoje que autoridades locais e federais são cobradas a agir de forma mais dura, mas o país segue dividido entre quem defende restrições mais severas e quem enxerga qualquer limitação como uma ameaça à liberdade individual. O que fica, no fim, é a dor de famílias que perderam seus filhos ainda tão pequenos, no lugar onde eles deveriam estar mais seguros: a escola.