Brasil defende criação de corredores ecológicos ampliados para baleias

A Importância da Proteção das Baleias-Jubarte nas Migrações Brasileiras

As baleias-jubarte são criaturas majestosas que realizam longas migrações, saindo das águas gélidas da Antártica para o litoral brasileiro, onde buscam um ambiente mais quente e seguro para se reproduzir. Este fenômeno natural, fascinante por si só, ganha novas dimensões com as discussões que estão acontecendo na COP17 da Biodiversidade, realizada entre 19 e 30 de outubro em Yerevan, na Armênia. A proposta brasileira que está sendo debatida visa fortalecer a proteção dos corredores ecológicos utilizados por essas e outras espécies migratórias.

A Conectividade Ecológica em Debate

A proposta em questão não é apenas uma questão de proteção, mas sim um passo significativo rumo à implementação de políticas que promovam a conectividade ecológica. Isso significa que as áreas que servem como rotas migratórias precisam ser protegidas e mantidas, garantindo que as espécies possam se deslocar com segurança. Essa iniciativa se alinha ao Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que foi aprovado em 2022 e busca integrar a conservação ambiental em um âmbito global.

Entretanto, é importante ressaltar que apenas proteger essas rotas não elimina os riscos que as baleias enfrentam durante suas migrações. Ao longo do trajeto, elas podem se deparar com ameaças como colisões com embarcações, poluição das águas e ruídos submarinos, que podem interferir em sua comunicação e comportamento. É um desafio que requer atenção e ação coordenada entre os países.

As Rotas Migratórias das Baleias-Jubarte

As baleias-jubarte se alimentam nas águas frias do Atlântico Sul, mas durante o período de reprodução, que ocorre entre junho e novembro, elas migram para regiões tropicais, em busca de águas mais quentes e rasas. Um dos locais mais conhecidos para a reprodução dessas baleias no Brasil é o Banco dos Abrolhos, que se localiza entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Essas águas rasas são ideais para o acasalamento, o parto e a amamentação dos filhotes, proporcionando um ambiente seguro e adequado para o desenvolvimento dos jovens cetáceos.

Marina Corrêa, uma analista de Oceanos da WWF-Brasil, destaca que essa proposta de conectividade ecológica é fundamental. Segundo ela, “a proposta busca fortalecer uma abordagem que considere as diferentes áreas utilizadas pelas espécies ao longo de seu ciclo de vida e permita coordenar medidas de conservação entre elas”. Isso mostra a necessidade de um olhar holístico sobre a conservação das baleias e outras espécies migratórias.

Legislação Brasileira e Corredores Ecológicos

No Brasil, a legislação já reconhece a importância dos corredores ecológicos como instrumentos de conservação. A Lei nº 9.985/2000 institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), definindo esses corredores como áreas que conectam diferentes unidades de conservação e possibilitam o deslocamento seguro das espécies e o fluxo genético entre elas. Além disso, o Decreto nº 4.340/2002 estabelece diretrizes para o reconhecimento e a gestão dessas áreas.

Portanto, a inserção de uma proposta dedicada à conectividade ecológica nas discussões da CDB pode fortalecer as diretrizes internacionais e impulsionar a colaboração entre países, já que muitas rotas migratórias atravessam fronteiras nacionais. Essa colaboração é vital para o sucesso das iniciativas de conservação.

O Impacto Econômico das Baleias no Brasil

Além de sua importância ambiental, as baleias-jubarte têm um papel significativo na economia do Brasil. O turismo de observação de baleias, especialmente em regiões costeiras, se tornou uma importante fonte de renda para muitas comunidades. De acordo com o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), cerca de 120 mil pessoas visitam anualmente o Litoral Norte paulista apenas para avistar essas magníficas criaturas. Isso representa uma movimentação financeira direta de aproximadamente R$ 138 milhões por temporada.

Um estudo realizado em 2020 pelo Instituto Baleia Jubarte e pela ONG Great Whale Conservancy, com a participação de pesquisadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Universidade Duke, revelou que as grandes baleias presentes na costa brasileira contribuem com serviços ecológicos avaliados em impressionantes 82,5 bilhões de dólares ao longo de suas vidas. Isso reforça a ideia de que a conservação das baleias não é apenas uma questão ambiental, mas também econômica.

Em resumo, a proteção das baleias-jubarte e de seus corredores migratórios é uma questão que envolve tanto a conservação ambiental quanto o desenvolvimento econômico. As iniciativas como a discutida na COP17 são cruciais para garantir que essas magníficas criaturas continuem a migrar e a prosperar em nosso litoral, beneficiando não apenas o ecossistema, mas também as comunidades que dependem delas.

Participe da conversa: O que você acha sobre a proteção das baleias-jubarte? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe suas ideias!



Recomendamos