Carlos Bolsonaro não tem motivos para sorrir, após receber duro golpe do MP

O Ministério Público do Rio de Janeiro resolveu mexer num vespeiro antigo. A investigação sobre a suposta prática de “rachadinha” no gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) foi retomada. O caso começou lá em 2019, acabou arquivado em 2024, mas agora voltou à cena depois de uma nova análise interna feita pela Procuradoria-Geral de Justiça. Segundo o órgão, ainda existem pontos mal explicados, lacunas que precisam ser preenchidas e diligências que, na visão técnica, não poderiam ter sido deixadas de lado assim, tão cedo.

Pra quem acompanha política no Rio, o nome de Carlos Bolsonaro não é novidade. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele sempre esteve no centro de debates acalorados, principalmente nas redes sociais. Agora, mais uma vez, o assunto volta à tona — e num momento em que o cenário político nacional ainda tenta se reorganizar depois das últimas eleições municipais e da movimentação de lideranças visando 2026.

A reabertura do caso foi formalizada depois que o arquivamento anterior não chegou a ser homologado de forma definitiva. Os autos foram encaminhados à 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada. Em termos mais simples: o processo saiu da gaveta. De acordo com o Ministério Público, o arquivamento foi considerado prematuro após um parecer técnico apontar que ainda havia necessidade de ouvir investigados, revisar documentos e aprofundar a coleta de provas.

A investigação gira em torno de suspeitas de desvio de recursos públicos por meio do fracionamento de salários de assessores parlamentares — prática popularmente conhecida como “rachadinha”. Funciona assim: parte do salário dos funcionários seria devolvida ao político ou a terceiros. Pelo menos é o que costuma aparecer em casos semelhantes espalhados pelo país. No caso específico do gabinete de Carlos Bolsonaro, além dele, outras 25 pessoas são citadas no procedimento.

Em fases anteriores da apuração, alguns funcionários chegaram a ser acusados de participação no suposto esquema. Já o então vereador não foi incluído entre os denunciados naquele momento por falta de indícios considerados suficientes. Ou seja, não havia, até ali, provas robustas que justificassem uma acusação formal contra ele. Mas isso pode mudar ou não, depende do que essa nova etapa vai revelar.

Relatórios internos indicaram que parte das provas reunidas anteriormente talvez não tenha sido analisada de forma completa. Esse ponto pesou na decisão de retomar o caso. A nova fase pretende justamente validar as evidências já coletadas e esclarecer padrões de movimentações financeiras dos investigados. Transferências bancárias, datas, valores, vínculos — tudo deve ser reexaminado com mais calma.

O Ministério Público também destacou que a tramitação do processo na primeira instância foi considerada adequada, já que não existia prerrogativa de foro relacionada ao cargo exercido à época. Em outras palavras, o caso não precisaria subir para instâncias superiores por causa de função pública específica naquele período.

Nos bastidores políticos do Rio de Janeiro, o assunto já começa a gerar comentários. Alguns aliados falam em perseguição, outros defendem que a apuração é necessária para esclarecer qualquer dúvida. É o tipo de caso que divide opiniões e movimenta discursos inflamados nas redes sociais, principalmente em um ambiente político ainda polarizado.

Vale lembrar que o tema “rachadinha” já apareceu em outros episódios envolvendo figuras públicas no Brasil, o que aumenta o peso simbólico dessa retomada. A depender do que for apurado, o caso pode ganhar novos desdobramentos ou, mais uma vez, acabar arquivado. Por enquanto, o que se sabe é que a investigação está oficialmente de volta aos trilhos — e deve dar o que falar nas próximas semanas.



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