Mesmo após sua partida, o nome de Cid Moreira continua presente nos noticiários — não mais por sua lendária voz no telejornalismo, mas pela confusão em torno da sua herança. Morto em outubro de 2024, aos 96 anos, por falência múltipla dos órgãos, o ex-apresentador da Globo deixou um patrimônio que hoje é motivo de disputa familiar na Justiça.
A bola da vez é a casa de veraneio localizada em Itaipava, região serrana do Rio de Janeiro, um verdadeiro refúgio cercado por mata, ar puro e silêncio. Segundo o jornal O Globo, o imóvel chegou a ser anunciado por R$ 2,9 milhões, mas teve a venda suspensa. O motivo? Decisão judicial que bloqueou a transação até que o processo de inventário seja concluído.
A casa, diga-se de passagem, é digna de novela: cinco quartos, piscina, espaço gourmet completíssimo, anexo para hóspedes, tudo dentro de um condomínio fechado onde o verde reina. Nada mais justo que o imóvel entre na partilha — se é que vai mesmo ser partilhado.
O entrave maior está na briga entre os filhos de Cid e sua última esposa, Fátima Sampaio. No testamento deixado por ele, consta que os filhos estariam excluídos da herança. O caso, como era de se esperar, foi parar nos tribunais. Os filhos alegam que têm direito à parte dos bens e querem a revisão do testamento. Enquanto isso, o dinheiro da possível venda do imóvel, caso ela ocorra com aval judicial, ficará “congelado” nos autos do processo.
O adeus a uma voz que marcou época
Cid Moreira morreu no dia 3 de outubro de 2024, depois de quase um mês internado. A causa oficial foi falência múltipla dos órgãos. A morte abalou o público, que cresceu ouvindo suas narrações marcantes no Jornal Nacional e em gravações da Bíblia, que até hoje circulam em CDs, audiobooks e até no Spotify.
Fátima Sampaio, viúva do jornalista, falou com exclusividade à Revista CARAS poucos dias após a perda. Visivelmente abalada, ela desabafou: “Eu não tô em condições normais, sabe? Tô vivendo num modo esquisito. A gente fica assim… num estado meio fora do corpo, recebendo pessoas, conversando… porque é preciso, né?”
Fátima também relembrou como o casal se conheceu. “Conheci o Cid quando eu era repórter da CARAS. Foi numa entrevista no Ceará. Dali nasceu tudo. Muitas das nossas datas especiais foram registradas na revista. E isso, pra mim, tem um valor imenso. Quero agradecer ao Cid pelo amor lindo que ele me deu e agradecer à CARAS por todo o carinho com a nossa história.”
Um legado além da voz
A história de Cid Moreira vai além dos microfones. Ele foi símbolo de credibilidade no jornalismo, mesmo em tempos de fake news e desconfiança da mídia. Sua figura serena e voz grave viraram referência de profissionalismo. E agora, após sua morte, ele ainda movimenta processos, debates sobre testamento e até reflexões sobre relações familiares.
A disputa judicial pode durar meses ou até anos. Enquanto isso, a casa de Itaipava segue fechada, silenciosa… talvez ecoando, entre suas paredes, um pouco daquela voz que, por décadas, marcou as noites dos brasileiros.