Na manhã desta quinta-feira, dia 25 de dezembro, em pleno clima de Natal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou atenção ao ler uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O texto foi divulgado poucas horas antes de Bolsonaro passar por uma cirurgia para retirada de uma hérnia, procedimento que, segundo pessoas próximas, deve durar cerca de quatro horas. A previsão médica é que ele fique internado entre cinco e sete dias, dependendo da recuperação, algo que sempre gera expectativa entre apoiadores e também críticos.
De acordo com o próprio Flávio, a carta não foi escrita às pressas. Ela teria sido redigida no dia 23 de dezembro, dois dias antes da divulgação. Mesmo assim, por decisão pessoal do ex-presidente, o conteúdo só veio a público nesta quinta, justamente no dia marcado para a cirurgia. A leitura aconteceu logo cedo, diante da imprensa, enquanto Bolsonaro já se organizava para ir ao hospital, o que deu um tom ainda mais simbólico ao momento.
Apesar da situação de saúde, o texto da carta não entra em detalhes sobre o procedimento médico. Não há menção direta à cirurgia, nem pedidos de oração ou algo do tipo, como muitos esperavam. Pelo contrário, a mensagem segue um caminho mais político e também pessoal, focando diretamente na sucessão dentro do campo bolsonarista, tema que vem ganhando força nos bastidores desde as últimas eleições.
Na carta, Jair Bolsonaro afirma que a escolha de Flávio como seu sucessor político é uma decisão “consciente e amparada”. Ele usa palavras fortes, com um tom claramente emocional, ao dizer que entrega “o que há de mais valioso para um pai, o seu filho”. Essa frase, inclusive, foi uma das mais repercutidas nas redes sociais ao longo do dia, gerando debates, elogios e críticas em igual proporção.
Ao justificar a decisão, o ex-presidente argumenta que a indicação de Flávio não é apenas uma questão familiar, mas uma forma de preservar a representação “daquilo que confiaram em mim”. Com isso, ele se refere diretamente aos eleitores que o apoiaram nas últimas disputas eleitorais, especialmente em 2018 e 2022. Para Bolsonaro, essa base precisa se sentir representada e, segundo ele, o filho teria condições de manter esse legado político.
O momento da divulgação também chama atenção. Em um país onde a política raramente entra em recesso, nem mesmo no Natal, a carta acabou virando assunto do dia, disputando espaço com notícias sobre festas, viagens e confraternizações. Nas redes sociais, apoiadores do ex-presidente trataram a mensagem como um gesto de coragem e confiança, enquanto adversários apontaram o que chamam de tentativa de perpetuação de um projeto familiar no poder.
Nos bastidores de Brasília, a leitura da carta foi vista como mais um passo na reorganização do bolsonarismo após a derrota eleitoral. Analistas políticos avaliam que o gesto fortalece Flávio dentro do grupo e manda um recado claro a outros nomes que também disputam espaço nesse campo ideológico. Mesmo sem citar nomes, o texto deixa claro quem Bolsonaro enxerga como herdeiro político.
Enquanto isso, a cirurgia segue como pano de fundo dessa movimentação toda. A expectativa é que Jair Bolsonaro passe bem pelo procedimento e inicie a recuperação ainda nesta semana. A carta, no entanto, já cumpriu seu papel: reacendeu debates, movimentou a base conservadora e mostrou que, mesmo fora da Presidência, Bolsonaro continua influente e disposto a ditar os rumos do seu grupo político.
Confira:
