COP30: prefeitos lançam carta defendendo protagonismo das cidades no clima

Prefeitos Brasileiros Unem Forças em Prol da Sustentabilidade Climática

Nesta terça-feira, dia 4, um grupo de mais de 100 prefeitos de diversas cidades do Brasil se reuniu e lançou uma carta que destaca a importância do papel dos municípios nas questões climáticas globais. O evento ocorreu no Rio de Janeiro, durante o Fórum de Líderes Locais, e a carta será apresentada na COP30, que acontecerá em Belém. O documento, intitulado Carta de Prefeitas e Prefeitos, sugere a adoção do federalismo climático como base para uma transição justa e sustentável, além de reforçar a importância dos governos locais nas ações propostas.

A Importância das Cidades na Transição Climática

O texto enfatiza que não pode haver uma transição climática eficaz sem a participação ativa das cidades. Isso se deve ao fato de que mais de 80% da população brasileira reside em áreas urbanas, onde os impactos da crise climática se fazem sentir de maneira mais intensa. Soluções inovadoras e a participação da sociedade são fundamentais para enfrentar esse desafio, garantindo que as ações climáticas sejam escaláveis e justas.

Seis Eixos Prioritários para a Ação Climática

A carta delineia seis eixos prioritários que visam fortalecer a ação climática local e o papel das cidades dentro do regime global de clima:

  • Participação efetiva: Estabelecimento de mecanismos que assegurem a inclusão de governos locais nas discussões da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e na formulação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs 3.0).
  • Acesso a fundos climáticos: Criação de um sistema que permita que os entes subnacionais acessem diretamente fundos climáticos internacionais, priorizando o financiamento para adaptação e resiliência urbana.
  • Aperfeiçoamento de capacidades: Foco em fornecer apoio técnico contínuo para governos locais e regionais, garantindo que eles estejam preparados para enfrentar os desafios climáticos.
  • Integração com a ONU: Fortalecimento da colaboração entre a UNFCCC e a ONU-Habitat, alinhando a Nova Agenda Urbana às diretrizes climáticas globais.
  • Democratização das tecnologias: Promoção do acesso equitativo a inovações e dados climáticos, garantindo que todos os municípios possam implementar soluções eficazes.
  • Capacitação e conhecimento: Implementação de iniciativas para educar a população e os gestores locais sobre a agenda climática.

Adaptação Climática no Centro das Políticas Urbanas

A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) defende que a adaptação climática deve ser uma prioridade nas políticas urbanas brasileiras. As cidades, segundo a FNP, precisam de ferramentas técnicas e financeiras adequadas para lidar com eventos climáticos extremos, como inundações e ondas de calor, garantindo a proteção da população e a redução das desigualdades sociais.

A importância do Diálogo Federativo

Outro ponto importante destacado pelos prefeitos é a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção e resiliência por meio de um diálogo federativo estruturado. Isso inclui a criação de centros de operação e resiliência nos municípios, além de garantir acesso direto a fontes de financiamento nacionais e internacionais, facilitando a implementação de estratégias de adaptação.

Outras Propostas em Destaque

A carta também menciona outras propostas significativas:

  • Mecanismos de mercado de carbono: Implementação em nível municipal, promovendo a conservação ambiental.
  • Compensação por serviços ambientais: Incentivos para municípios que prestam serviços ambientais, especialmente na produção de água.
  • Frotas elétricas: Promoção do uso de veículos elétricos e biocombustíveis, além de uma divisão justa dos custos de energia.

Rumo a um Desenvolvimento Sustentável

A FNP acredita que o desenvolvimento urbano sustentável é essencial para unir adaptação e mitigação. A COP30 representa uma oportunidade valiosa para que o Brasil apresente uma agenda que integre floresta e cidade, natureza e desenvolvimento, equidade e inovação. O conceito de governança multinível e o federalismo climático são vistos como a base para essa transformação, que deve ser feita em colaboração entre todos os níveis de governo, visando o bem-estar de toda a população.

As cidades brasileiras estão dispostas a estender a mão ao mundo, juntas, para construir uma nova era de políticas climáticas que sejam democráticas, territoriais e humanas.



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