Copa do Mundo: Donald Trump avalia tomar medida drástica contra seleção brasileira

O clima anda quente entre Brasília e Washington. Nos últimos dias, o Congresso americano voltou a colocar o Brasil no radar das sanções, e não é pouca coisa. Entre as opções mais comentadas, estaria até o cancelamento dos vistos da delegação inteira da Seleção Brasileira de Futebol. A ideia soa meio absurda, afinal, futebol costuma ficar de fora dessas brigas políticas. Mas, como a gente já percebeu nos últimos anos, a bola também é política.

Segundo alguns analistas, essa medida radical poderia até servir de munição para o próprio governo brasileiro, que tem aproveitado o discurso de enfrentamento externo. Donald Trump, sempre barulhento nas suas declarações, classifica o Brasil de hoje como um “regime autoritário” – palavra que ele gosta de repetir para inflamar a base. Assim, se os EUA barrassem o Brasil no futebol, o governo daqui poderia usar isso como narrativa de perseguição. Seria quase um presente político, mesmo sendo uma punição.

A história do esporte mostra algo curioso: nem países acusados de ditaduras brutais, como a Argentina dos anos 70 ou a União Soviética durante a Guerra Fria, chegaram a ter seleções impedidas de competir em Copas. A FIFA, que não costuma se meter em disputas ideológicas, já teria sinalizado que veria com maus olhos qualquer veto dessa natureza. Em outras palavras, seria um rolo histórico.

Enquanto isso, no campo político, os trumpistas pressionam por sanções ainda mais pesadas. Eles acreditam que medidas simbólicas, como barrar vistos, não são suficientes. Querem atingir de verdade a economia brasileira, seja no agronegócio, seja no setor energético. E é aí que entra outro detalhe: a questão do diesel.

O Brasil já amarga uma tarifa de 50% imposta pelos EUA em alguns produtos e ainda corre risco de punições adicionais, principalmente por causa da relação comercial mantida com a Rússia em meio à guerra na Ucrânia. Washington considera isso uma afronta direta, já que o Ocidente tenta isolar Moscou. Para os americanos, continuar comprando combustível e fertilizantes dos russos é como dar um tapa na cara da OTAN.

No meio desse fogo cruzado, o futebol pode acabar servindo de cortina de fumaça. Vale lembrar que a Copa do Mundo de 2026 está marcada para os Estados Unidos, México e Canadá, sendo que a maior parte dos jogos será em solo americano. A CBF, atenta a isso, já vinha conversando sobre fixar a base da Seleção na Flórida, lugar onde há forte comunidade brasileira e estrutura de sobra para receber os jogadores. Agora, com esse papo de vistos, surge a incerteza: será que os craques vão mesmo conseguir treinar e se concentrar por lá?

A ironia é que a Flórida, palco provável da preparação da Seleção, é justamente o reduto político de Trump. É lá que ele mantém residência e também grande parte de sua base eleitoral. Imaginar o Brasil instalando sua delegação em “território trumpista” enquanto aliados do ex-presidente tentam bloquear a vinda do time é, no mínimo, uma daquelas contradições típicas da política internacional.

Se olharmos para o torcedor comum, que só quer ver a bola rolar, toda essa confusão parece distante. Mas, no fim das contas, pode respingar dentro de campo. Se houver atrito diplomático sério, não está descartado algum tipo de boicote informal – menos amistosos, dificuldade de agenda, e até a criação de um clima hostil antes da Copa.

O certo é que a discussão vai além da bola. O Brasil tenta se posicionar como ator independente no xadrez internacional, mas enfrenta reações duras de Washington. No passado, quando havia tensão com a Venezuela ou com Cuba, os EUA também usaram o esporte como pressão indireta. Agora, o alvo é a maior paixão nacional dos brasileiros.

No balanço geral, resta esperar o desfecho. Se vai prevalecer o jogo político ou o jogo de futebol, só o tempo vai dizer. Mas, numa coisa, dá pra apostar: a bola não vai deixar de ser usada como arma simbólica nesse tabuleiro de disputas globais.



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