Luto no mundo das artes brasileiras. A notícia da morte da jovem atriz Bia Lomelino, carioca de apenas 25 anos, deixou muita gente de coração apertado nesta semana. Considerada uma das grandes apostas do teatro musical no país, ela partiu cedo demais, e o silêncio sobre a causa do falecimento só aumentou o choque de quem acompanhava sua trajetória. A confirmação veio pelas redes sociais da família, sem maiores detalhes, mas com uma enxurrada de mensagens de carinho de colegas, amigos e fãs.
Formada em Artes Cênicas pelo tradicional Centro de Artes das Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro, Bia construiu um currículo que impressiona para tão pouca idade. Nos palcos, ela mostrou versatilidade e presença de cena, com destaque em montagens que ganharam público e crítica: O Despertar da Primavera (2020), Heathers (2022) e mais recentemente Flashback (2024). No cinema, já tinha conquistado um papel de peso: a protagonista do longa Poema!, dirigido por Jay Vaquer, ainda inédito, mas que promete emocionar ainda mais agora, depois da tragédia.
E foi justamente o diretor que fez uma das homenagens mais tocantes. Abalado, Jay escreveu um longo texto em seu Instagram, daqueles que a gente lê devagar, como quem não quer aceitar a realidade. Ele agradeceu pela “gentileza, delicadeza, profissionalismo e talento” de Bia, dizendo que sua presença era um presente para todos que tiveram a sorte de cruzar com ela. Em um dos trechos mais fortes, afirmou: “É injusto, escroto demais. Ainda não consigo entender. Mas me agarro no privilégio de ter acompanhado sua arte tão de perto.”
Jay ainda relembrou momentos pessoais, como a primeira vez que assistiram juntos ao filme Poema!. Contou que foi uma sessão carregada de emoção, trocas de sorrisos e lágrimas de felicidade. Também mencionou que Bia assinou um pôster especial do filme, que ele planejava enquadrar como lembrança de um momento único. “Você está muito presente no filme. Sua personagem conduz a história. Muita gente ainda vai conhecer a gigante artista que você é”, completou.
Além dele, muitos outros colegas do teatro e da música manifestaram seu luto. Artistas que dividiram palco com Bia disseram que ela era daquelas pessoas que iluminavam ensaio, que chegava sempre com bom humor e humildade, mesmo quando já estava sendo reconhecida pelo público. Uma colega de Heathers comentou que “Bia tinha uma energia que contagiava e transformava o ambiente”.
O luto também foi marcado pelas palavras emocionadas do pai, Ronaldo Lomelino. Em sua despedida, ele chamou a filha de “estrelinha”, agradeceu pelos 25 anos de felicidade que viveu ao lado dela e reconheceu a importância da rede de apoio que recebeu neste momento difícil: “Essa energia boa conforta e acalma a alma”, escreveu.
Nas redes sociais, a comoção foi instantânea. Hashtags com o nome da atriz ficaram entre os assuntos mais comentados do X (antigo Twitter), e fãs criaram montagens com trechos de suas performances. Alguns até resgataram vídeos de bastidores, em que ela aparece rindo, cantando e mostrando o brilho que carregava.
É impossível não pensar no quanto de futuro foi interrompido. Em um cenário onde o teatro musical brasileiro ganha cada vez mais espaço — basta lembrar dos recentes sucessos em cartaz no Rio e em São Paulo —, perder uma artista tão jovem e talentosa é um baque coletivo. Muitos já apontavam Bia como um nome certo para estrelar grandes produções, seja no Brasil ou até mesmo fora dele.
Agora, ficam as lembranças, as homenagens e o legado de uma carreira curta, mas intensa. Bia Lomelino, com apenas 25 anos, conseguiu deixar sua marca em cada palco, em cada ensaio, em cada olhar que cruzava com o público. E talvez seja essa a força da arte: permanecer viva mesmo quando o artista já não está mais aqui.