Dono de clínica e engenheiro viram réus por mortes em elevador no RS

Tragédia em Clínica de Saúde: Responsáveis por Acidente com Elevador se Tornam Réus

No mês de julho de 2023, um incidente lamentável abalou a cidade de Montenegro, localizada na região metropolitana de Porto Alegre. Um casal de idosos perdeu a vida após um acidente trágico envolvendo um elevador em uma clínica de saúde. Agora, os responsáveis pelo estabelecimento e pela manutenção do elevador enfrentam sérias acusações que podem levar a consequências legais significativas.

Os Réus e as Acusações

Diante da gravidade do caso, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) decidiu agir, apresentando uma denúncia contra Ivan Petinga de Cerqueira Filho, proprietário da clínica, e Rogério de Barros Macedo, engenheiro responsável pela manutenção do elevador. Ambos foram formalmente acusados de homicídio culposo, que se caracteriza pela ausência de intenção de matar, mas que ainda assim resulta em morte por negligência ou imprudência.

Entenda o Acidente

O triste acidente ocorreu no dia 19 de julho de 2023, quando o casal, que estava na clínica para uma consulta médica, acabou se tornando vítima de uma fatalidade. A filha dos idosos os deixou na entrada do elevador, sem perceber que a cabine estava parada no andar superior. Ao entrar no elevador, a porta do térreo abriu normalmente, levando os dois a entrar no espaço destinado ao elevador. Para complicar ainda mais, a porta se fechou logo depois.

Enquanto isso, um outro paciente no andar superior acionou o elevador para descer. O que deveria ser uma simples descida, transformou-se em um pesadelo. O elevador, que não tinha um mecanismo de segurança adequado que impedisse seu funcionamento com pessoas no poço, desceu rapidamente e prensou o casal. O idoso, com 94 anos, morreu imediatamente devido a um traumatismo torácico, enquanto a mulher foi hospitalizada, mas acabou falecendo cerca de um mês e meio depois devido às lesões.

Falhas no Sistema de Segurança

Um laudo pericial revelou que o sistema de travamento da porta do elevador estava completamente inoperante no momento do acidente. Os peritos descobriram que uma mola inadequada foi instalada, sendo 17 vezes menos resistente do que o exigido pelas normas técnicas. Isso permitiu que a porta se abrisse mesmo sem a cabine estar no andar correto, um fator crítico que contribuiu para a tragédia.

Além disso, a investigação destacou que Rogério de Barros Macedo, o engenheiro, não havia emitido a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) que é obrigatória para serviços de manutenção. Este documento só foi providenciado de forma retroativa após o acidente, levantando sérias questões sobre a responsabilidade e a ética profissional do engenheiro.

A Responsabilidade do Proprietário

O proprietário da clínica, Ivan Petinga, também foi responsabilizado por manter o elevador em operação, mesmo sabendo das falhas existentes. Relatos de funcionários e pacientes já indicavam problemas recorrentes no equipamento, mas a clínica continuou a utilizá-lo, colocando em risco a segurança de idosos e pessoas com mobilidade reduzida que frequentavam o local.

Consequências Legais e Considerações Finais

O Ministério Público avaliou que a gravidade das condutas dos acusados e a negligência em relação às falhas conhecidas do elevador são fatores que justificam o não oferecimento de um acordo de não persecução penal. A tragédia ressalta a importância de garantir a segurança em estabelecimentos de saúde, pois vidas podem estar em risco devido a falhas que poderiam ser evitadas.

Atualmente, Ivan Petinga e Rogério de Barros Macedo se tornaram réus e têm dez dias para apresentar suas defesas. A sociedade aguarda ansiosamente por um desfecho que possa trazer justiça para as vítimas e suas famílias.

Esse caso é um lembrete triste de que a segurança deve sempre ser prioridade, especialmente em locais que atendem a pessoas vulneráveis. As autoridades devem agir de forma rigorosa para garantir que tragédias como essa não voltem a acontecer.



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