O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a movimentar as redes sociais neste sábado (3) ao comentar um dos assuntos mais explosivos do momento: a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos. Como já era esperado por aliados e críticos, Eduardo não se limitou a falar do episódio internacional e aproveitou a repercussão para atacar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma publicação no Twitter, que rapidamente se espalhou por outros perfis e grupos políticos, Eduardo afirmou que o regime venezuelano seria um dos principais pilares do chamado Foro de São Paulo. Segundo ele, com Maduro fora do jogo, líderes da esquerda latino-americana, como Lula e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, passariam a enfrentar “dias terríveis”. A mensagem terminou com o slogan que costuma usar em momentos de embate ideológico: “Viva a liberdade”.
A fala caiu como gasolina em uma fogueira que já estava acesa. O Foro de São Paulo, citado por Eduardo, é uma articulação política criada nos anos 1990 que reúne partidos e movimentos de esquerda da América Latina e do Caribe. Embora seus defensores digam que o grupo funciona como espaço de diálogo e cooperação, políticos conservadores brasileiros costumam tratá-lo como símbolo de ameaça ideológica e interferência regional. Não é a primeira vez que o nome do foro aparece no centro de polêmicas nas redes.
O comentário de Eduardo Bolsonaro acontece em um contexto ainda mais tenso. Nas últimas horas, os Estados Unidos realizaram uma ofensiva militar de grande escala em território venezuelano. Segundo declarações do presidente norte-americano Donald Trump, a operação resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, durante a madrugada deste sábado. A informação causou impacto imediato no cenário internacional e gerou reações em cadeia.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que Maduro deverá responder à Justiça norte-americana. De acordo com ela, o líder venezuelano é acusado de crimes graves, como conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e posse de armas de uso restrito. São acusações antigas, mas que agora ganham um peso completamente diferente diante da prisão anunciada.
Enquanto isso, em Caracas, o clima é de tensão e incerteza. O governo venezuelano reagiu pedindo uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O pedido foi formalizado pelo chanceler Yván Gil Pinto, que classificou a ação dos Estados Unidos como ataques armados brutais, unilaterais e injustificados. Segundo ele, a ofensiva atingiu alvos civis e militares, tanto na capital quanto em outros estados do país.
Nas redes sociais, a população venezuelana se divide entre comemoração, medo e desinformação. Vídeos e relatos circulam a todo momento, alguns confirmados, outros nem tanto. Especialistas alertam que ainda é cedo para entender o real impacto político da captura de Maduro e quais serão os próximos passos do governo norte-americano.
No Brasil, a declaração de Eduardo Bolsonaro também repercutiu entre parlamentares e analistas políticos. Para aliados, ele apenas disse o que muitos pensam. Já para críticos, o tom foi de ameaça e oportunismo político, usando uma crise internacional para atacar adversários internos. O Planalto, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre as falas do ex-deputado.
O fato é que o episódio marca mais um capítulo turbulento na política latino-americana, com reflexos diretos no debate brasileiro. E, como costuma acontecer em momentos assim, a polarização ganha força, enquanto a população assiste, muitas vezes confusa, a acontecimentos que podem mudar o rumo da região inteira.