O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) voltou a movimentar as redes sociais nos últimos dias ao compartilhar o que, segundo ele, seria “o maior medo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A publicação rapidamente ganhou repercussão e abriu mais um capítulo da já conhecida troca de farpas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e o atual governo.
De acordo com Eduardo, Lula evita classificar oficialmente as maiores facções criminosas do país como grupos terroristas. Para o filho de Jair Messias Bolsonaro, esse silêncio não seria por acaso. “Lula tem pavor de decretar CV e PCC como grupos terroristas. Não é somente para proteger a sua base eleitoral de criminosos, mas sim para proteger a si próprio”, escreveu o deputado em tom duro, como já é comum em suas postagens.
A declaração caiu como gasolina no fogo. Em poucos minutos, o post começou a circular em grupos de WhatsApp, páginas políticas e perfis alinhados à direita. Eduardo reforçou a crítica dizendo que o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital são responsáveis por boa parte da violência que assola o Brasil, citando ataques recentes, domínio de territórios e até episódios ligados ao tráfico internacional. Segundo ele, o governo federal fecha os olhos para o problema por conveniência política, algo que, na visão do parlamentar, é inaceitável.
Mesmo com a repercussão, o presidente Lula não se manifestou publicamente sobre as acusações. O Planalto também evitou comentar o assunto, mantendo a linha adotada em outras polêmicas recentes envolvendo membros da família Bolsonaro. Nos bastidores, aliados do governo afirmam que a classificação de facções como terroristas envolve questões jurídicas complexas e acordos internacionais, e não apenas vontade política. Mas isso, claro, não foi citado por Eduardo.
Vale lembrar que o debate sobre o crime organizado voltou ao centro das discussões após operações policiais em regiões nobres, como a Faria Lima, em São Paulo, além de ações contra lavagem de dinheiro e esquemas financeiros ligados a facções. O tema é sensível, mexe com medo, indignação e também com interesses políticos, ainda mais em um país que vive polarizado desde as eleições de 2022.
Nas redes sociais, a reação foi imediata e intensa. Muitos brasileiros criticaram duramente Eduardo Bolsonaro, acusando-o de distorcer fatos e agir mais como influenciador do que como parlamentar. “Respeite a decisão do Congresso Nacional, numa manifestação clara de sensatez. Ah, nem tem como… não há respeito seu pelos seus eleitores, nem pelo seu Estado, muito menos pelo Brasil”, escreveu uma usuária, em um comentário bastante compartilhado.
Outra pessoa foi ainda mais direta e dura nas palavras. “Foragido, você não deu uma palavra sobre o governo federal combatendo o PCC na Faria Lima. Além disso, você defendia a PEC da Bandidagem, para blindar políticos corruptos e criminosos ligados a facções. Nunca foi sobre combater o crime. Você quer é intervenção da extrema direita no Brasil. Mas o povo é soberano!”, comentou.
Entre apoios e críticas, o fato é que Eduardo Bolsonaro conseguiu novamente colocar seu nome entre os assuntos mais comentados, algo que ele claramente sabe fazer. Para uns, ele diz verdades que incomodam. Para outros, apenas repete discursos prontos, mirando likes e engajamento. No meio disso tudo, o brasileiro comum segue convivendo com a violência, esperando menos briga política e mais solução prática. Mas, do jeito que o debate anda, isso ainda parece meio distante.
Lula tem pavor de decretar CV e PCC como grupos terroristas. Não é somente para proteger a sua base eleitoral de criminosos, mas sim para proteger a si próprio.
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) January 3, 2026