No último domingo (24), em Resende, interior do Rio de Janeiro, a família Bolsonaro passou por um episódio que parece coisa de filme de suspense, mas infelizmente foi real. A mãe do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Rogéria, e os avós do parlamentar foram feitos reféns dentro de casa, em uma ação violenta de criminosos. A notícia, além de assustar, levantou discussões sobre segurança, política e até sobre os desdobramentos das decisões do STF.
Logo após ser informado do ocorrido, Eduardo gravou um vídeo visivelmente abalado. No tom, dava pra sentir não só a revolta, mas também a impotência diante do que chamou de “cena de terror”. Segundo ele, os bandidos chegaram gritando, amordaçaram seus avós – que já são idosos – e humilharam sua mãe, revirando cada canto da residência atrás de dinheiro.
O detalhe que chama a atenção é que os criminosos teriam alegado que Jair Bolsonaro enviava recursos financeiros para a família. Essa fala, na visão de Eduardo, não foi por acaso. No vídeo, o deputado chegou a questionar se essa exposição não seria consequência direta de decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “Ordens de Moraes?”, disparou, sugerindo uma relação entre a perseguição política que alega sofrer e a violência sofrida por seus parentes.
Essa ligação imediata feita por Eduardo não surpreende quem acompanha os embates políticos recentes. Afinal, o cerco judicial e as medidas de bloqueio de contas bancárias têm sido assunto constante em torno do clã Bolsonaro. O deputado chegou a mencionar que, com as restrições financeiras impostas pela Justiça, sente-se incapaz de oferecer segurança adequada para seus familiares – o que potencializa a sensação de vulnerabilidade.
Enquanto Eduardo desabafava nas redes, seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também recorreu ao X (antigo Twitter) para narrar o crime. Flávio relatou que os criminosos mantiveram Rogéria e os avós reféns por mais de uma hora, sob constante ameaça de armas de fogo. “Graças a Deus estão todos bem, mas foi mais de uma hora de terror, com arma na cabeça e boca tampada com fita adesiva”, escreveu. Ele ainda contou que os bandidos insistiam em saber do suposto dinheiro “que Bolsonaro mandava para os avós”. Como não encontraram quantias em espécie, acabaram levando joias e até o carro da família.
🚨 They kidnapped my grandparents and my mother, shouting: “we know that Jair Bolsonaro sent you money through Zelle, where’s the cash?!” They gagged elderly people over 80 years old and ransacked the whole house for more than an hour.
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) August 24, 2025
Sorry for the harsh words, but there’s no… pic.twitter.com/aj6dBW2tlD
Esse episódio gerou eco imediato na política e nas redes sociais. Entre apoiadores, a narrativa é de que a família estaria sendo alvo não só de criminosos comuns, mas também de um ambiente de perseguição que ultrapassa o campo jurídico e chega à segurança pessoal. Já críticos preferiram tratar o caso como reflexo da violência que assola o país e que atinge tanto figuras públicas quanto cidadãos anônimos. Afinal, não dá pra esquecer que só neste mês de agosto, o Rio de Janeiro registrou mais de uma centena de casos de roubos a residências, segundo dados preliminares da Secretaria de Segurança.
As autoridades locais abriram investigação para identificar os envolvidos e entender como os criminosos tiveram acesso às informações tão específicas sobre a família. Até o momento, nenhuma prisão foi confirmada. O que se sabe é que a polícia trabalha com duas linhas principais: a de que o sequestro-relâmpago foi um crime comum de oportunidade ou a de que os criminosos já tinham informações privilegiadas sobre a rotina dos avós.
Independentemente da motivação, a situação expôs fragilidades. Uma família de alto perfil político foi alvo de criminosos dentro da própria casa, em uma cidade que não costuma figurar entre as mais violentas do estado. O caso escancara um cenário em que nem figuras públicas, nem cidadãos comuns, se sentem plenamente seguros.
No fim das contas, o episódio em Resende é mais um retrato da insegurança que assombra o Brasil em 2025. Entre discursos inflamados, teorias de perseguição e dados frios da violência urbana, resta a pergunta: até quando famílias, famosas ou não, terão que conviver com a sensação de viver em permanente estado de alerta?