A tragédia que tirou a vida de Juliana Marins, de apenas 26 anos, num penhasco do Monte Rinjani, na Indonésia, não só comoveu o Brasil, como também gerou uma onda de indignação. O caso escancarou problemas sérios envolvendo o turismo de aventura na região e, mais grave ainda, a demora no resgate da brasileira, que acabou sendo fatal.
Juliana estava em uma viagem pela Ásia, dessas que a gente vê tanta gente jovem fazendo nos últimos anos – mochilão, experiências culturais, natureza, aquele desejo de se encontrar no mundo. Mas o que era pra ser uma jornada de autoconhecimento, terminou de forma brutal. De acordo com a autópsia, ela morreu por conta de fraturas graves causadas pela queda.
O pai dela, Manoel Marins, falou com o programa Fantástico, da Globo, neste domingo (29), e não poupou críticas. Segundo ele, houve erro de todo lado. “O guia abandonou a Juliana sozinha pra fumar, a empresa vende esses passeios como se fosse trilha leve, coisa de turista despreparado, mas não é. E o principal culpado, pra mim, é o coordenador do Parque. Ele demorou demais pra acionar a Defesa Civil”, disse Manoel, visivelmente abalado.
E, olha, se a gente parar pra pensar, não é difícil entender essa revolta. Como é que um parque conhecido por ter trilhas perigosas, com paredões e trechos escorregadios, não tem um plano de emergência ágil? E como é que se permite a venda desses pacotes turísticos sem o mínimo de responsabilidade? Gente jovem, como Juliana, confia nos profissionais locais. E quando essa confiança é traída, o resultado pode ser devastador.
Outro ponto que tocou muita gente foi a última mensagem que Juliana mandou pra mãe dela, a Estela. Uma despedida que ninguém imaginava que seria, de fato, a última. No áudio, ela diz:
“Mami, eu te amo tanto. Fiquei com o coração partido quando a gente se despediu. Na verdade, essa é a única coisa que me preocupa: deixar você, papi ou minha irmã desapontados. De resto, eu não tenho medo de muita coisa não. Muito menos de perrengue. Eu sou sua filha e isso já faz de mim uma pessoa forte e desenrolada.”
Essa mensagem viralizou nas redes, porque, além de ter um tom emocional muito forte, mostra quem era Juliana. Uma jovem cheia de vontade de viver, que se inspirava na força da própria mãe, que não tinha medo de enfrentar o mundo.
O caso levantou discussões importantes sobre o turismo em locais de risco e também sobre o papel das autoridades estrangeiras em cuidar de visitantes. Já passou da hora desses passeios terem regras mais rígidas, fiscalização séria e resgate eficiente. Porque se tem brasileiro em tudo quanto é canto do mundo, também tem que ter garantia mínima de segurança, né?
E é triste demais pensar que, talvez, se o resgate tivesse sido feito com mais agilidade, Juliana podia estar viva. Isso não é só uma fatalidade. É também um reflexo da negligência, da falta de preparo e, em parte, do descaso com a vida humana. Agora, resta à família lidar com uma dor que não tem tamanho. E ao Brasil, cobrar, junto com eles, justiça e mudanças.
Juliana se foi, mas deixou uma mensagem poderosa: coragem, amor e força. Que o mundo ouça.