Entenda o que está por trás dos supostos batizados do boneco Labubu

Nos últimos meses, parece que ninguém conseguiu escapar do tal Labubu. Esse bonequinho de aparência esquisita — uma mistura de fofo e “assustadorzinho” — virou febre mundial. De repente, lojas tiveram que suspender vendas pra não formar fila quilométrica na porta, e teve até gente cogitando fazer seguro pros próprios exemplares, como se fossem joias raras. É sério! E, como se não bastasse, a onda mais recente que caiu na internet é a de “batizados” de Labubus. Isso mesmo que você leu: boneco sendo batizado, com direito a vídeo viral e tudo. Alguns parecem encenação pura, outros já deixam aquela pulga atrás da orelha.

A tal trend não nasceu do nada. Ela vem alimentada por boatos antigos que associam o personagem ao demônio Pazuzu, aquele mesmo que marcou presença em O Exorcista, clássico do cinema e da literatura de terror que até hoje dá calafrio em muita gente. O rumor cresceu em grupos de redes sociais e acabou chegando a fóruns e perfis de curiosidades, despertando a preocupação de pais, religiosos e até de colecionadores mais supersticiosos. Muitos acreditam que o boneco poderia carregar energias negativas ou atrair azar, e daí surgiram essas “cerimônias” de benção ou batismo como forma de purificá-lo.

Teve caso até de gente queimando o brinquedo em plena rua, gravando e postando como forma de “se livrar do mal”. O curioso é que, se olhar bem, o design do Labubu realmente tem umas características que lembram figuras demoníacas clássicas: dentes afiados, orelhas pontudas que lembram chifres, e aquele olhar meio malicioso que pode ser interpretado como travessura ou como algo mais sombrio. Em algumas representações, Pazuzu também aparece com traços semelhantes, o que só ajudou a alimentar a teoria.

Só que, como quase tudo na internet, muita coisa não passa de exagero. A maioria dos “exorcismos” do boneco são feitos em tom de brincadeira, sátira mesmo, mas ainda assim existem pessoas que levam a sério e até se sentem ofendidas, achando que isso desrespeita tradições religiosas. A polêmica ganhou tanta proporção que virou pauta em páginas de notícias, trending topic no TikTok e discussão em grupos de colecionadores no WhatsApp.

O mais curioso é que a verdadeira história do Labubu não tem nada de demoníaco. O personagem nasceu em 2015 pelas mãos do artista Kasing Lung, que criou um universo chamado The Monsters. A inspiração veio de lembranças da infância, quando ele lia contos de fadas europeus, aqueles bem clássicos, cheios de criaturas mágicas e moral da história. Só alguns anos depois, por volta de 2019, o monstrinho ganhou forma física como brinquedo colecionável, produzido pela empresa chinesa Pop Mart. A marca, até hoje, nunca fez nenhuma declaração oficial sobre os boatos que ligam a criatura a Pazuzu ou ao ocultismo.

Na prática, o que aconteceu foi aquele efeito típico da cultura pop contemporânea: um produto com visual marcante cai nas mãos do público, a internet abraça, memes nascem, boatos se espalham e pronto, temos um fenômeno. Se parar pra pensar, não é muito diferente do que rolou com o Momo, aquela imagem bizarra de escultura japonesa que circulou em correntes de WhatsApp alguns anos atrás. A diferença é que, enquanto o Momo virou símbolo de medo, o Labubu acabou virando objeto de desejo, com fila de espera, revenda por valores absurdos e, claro, polêmicas.

Seja visto como “feio bonitinho”, como ameaça espiritual ou apenas como mais uma moda passageira, fato é que o Labubu conseguiu se firmar como ícone cultural do momento. E, em tempos de redes sociais dominadas por trends que nascem e morrem em questão de semanas, não deixa de ser impressionante ver um bonequinho chinês segurar a atenção global por tanto tempo. Quem sabe amanhã não inventam casamento de Labubu, ou até desfile de carnaval com fantasia inspirada nele? Do jeito que a internet é criativa (e às vezes meio doida), não dá pra duvidar.



Recomendamos