Muita gente que procura manter uma alimentação saudável, cheia de frutas, verduras e outros alimentos balanceados, acredita automaticamente que já está ingerindo todas as vitaminas necessárias pro corpo funcionar direitinho. Mas a realidade não é tão simples assim. A deficiência de vitamina A, por exemplo, nem sempre está ligada só a comer mal ou ter uma dieta pobre. Existem outros fatores, menos óbvios, que podem provocar o problema.
Pra começar, vale destacar que, em países desenvolvidos ou mesmo em regiões urbanas do Brasil onde o acesso à comida variada é mais fácil, é raro que apenas a dieta seja a culpada pela falta de vitamina A. O que costuma acontecer com mais frequência é que o corpo aumenta a necessidade dessa vitamina ou tem dificuldade em absorvê-la corretamente. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando há doenças que atrapalham a digestão de gorduras — já que a vitamina A é lipossolúvel, ou seja, depende da gordura pra ser absorvida.
Entre os motivos que atrapalham essa absorção estão doenças intestinais inflamatórias, como a famosa doença de Crohn, problemas no fígado, distúrbios no pâncreas, diabetes e até hipertireoidismo. É curioso perceber como tudo no corpo é conectado: quando um órgão não vai bem, outras funções acabam sendo prejudicadas.
Como o corpo dá sinais de falta de vitamina A?
Os sintomas dependem do tempo que essa deficiência está presente. No começo, os sinais podem parecer pequenos detalhes do dia a dia, coisas que muita gente nem dá bola. Cabelos secos e com queda, unhas quebradiças, lábios sempre rachados, dor de cabeça insistente e até dificuldade pra enxergar no escuro são alguns alertas que o corpo dá. Outro ponto importante é a baixa imunidade: pessoas com deficiência de vitamina A ficam mais suscetíveis a pegar infecções, o que, em tempos recentes como durante a pandemia de Covid-19, fez muita gente prestar mais atenção nesse tipo de problema.
Quando a carência é prolongada, os sintomas ficam mais sérios. A visão pode ser gravemente comprometida, levando até à cegueira. Além disso, surgem tonturas, náuseas, perda de apetite e alterações no paladar e no olfato. A pele também sente bastante: pode ficar seca, áspera e envelhecida precocemente. Em crianças, o problema é ainda mais delicado, já que pode atrasar o crescimento e comprometer o desenvolvimento físico.
Doenças associadas à deficiência
Não para por aí. A longo prazo, a falta de vitamina A pode abrir caminho para outras doenças bem complicadas. Estudos recentes apontam relação entre essa deficiência e riscos maiores de arteriosclerose, alguns tipos de câncer, pedras nos rins, infertilidade e até danos em tecidos internos. É um efeito dominó: uma deficiência aparentemente simples desencadeia várias complicações.
Como descobrir se há deficiência?
O diagnóstico não depende só de um exame. Os médicos avaliam uma combinação de fatores: o histórico do paciente, sinais clínicos (como cegueira noturna ou ressecamento nos olhos) e exames laboratoriais que medem os níveis de retinol no sangue. Quando o valor cai abaixo de 20 microgramas por decilitro, a deficiência fica evidente.
Populações de risco — como crianças pequenas, gestantes e pessoas que seguem dietas muito restritivas — precisam de atenção redobrada. Vale lembrar que, no Brasil, já houve campanhas de suplementação em massa em algumas regiões para combater justamente esse tipo de problema nutricional.
E o tratamento?
A boa notícia é que existe tratamento relativamente simples. A suplementação direta de vitamina A, sob orientação médica, costuma resolver. Além disso, é fundamental tratar as causas que estão por trás da deficiência, como doenças no fígado ou intestino. Por fim, claro, ajustar a dieta é indispensável: incluir alimentos como cenoura, abóbora, espinafre, manga e até fígado ajuda a manter os níveis estáveis.
No fim das contas, cuidar da saúde é um equilíbrio constante. Nem sempre comer bem significa que o corpo está absorvendo tudo da forma certa. Por isso, estar atento aos sinais, buscar orientação médica e fazer exames quando necessário continua sendo a melhor forma de evitar complicações maiores.