Na última segunda-feira, 4 de agosto, uma cena meio surreal tomou conta das redes sociais. Felipe Santa Cruz, ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), resolveu soltar o verbo depois da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que mandou Jair Bolsonaro pra prisão domiciliar. A reação de Santa Cruz não foi das mais discretas, pelo contrário – ele foi direto e até agressivo nos comentários.
Pelo X (antigo Twitter), ele comemorou com gosto a decisão judicial e não economizou nas palavras. Respondendo a um usuário que questionou qual crime justificaria a prisão do ex-presidente, Santa Cruz soltou algo que causou um baita rebuliço:
– Traição aos cânones democráticos. No meu mundo ideal seria pena de morte. Bala na nuca! – escreveu ele.
Sim, você leu certo. A expressão “bala na nuca” caiu como uma bomba. Muita gente achou exagero, outros disseram que era só desabafo de quem já tá cansado com tudo que aconteceu nos últimos anos no país. Mas o fato é que a declaração viralizou e dividiu opiniões, como de costume.
Pouco depois, Santa Cruz voltou a postar, ainda inflamado com a situação. Disse que o dia era de comemoração e disparou outra frase pesada contra Bolsonaro, relacionando ele às mortes da pandemia de Covid-19:
– Hoje é um dia de festa! Esse m**** que matou tantos na pandemia está preso. Que os mortos o assombrem – publicou.
O clima nas redes, claro, pegou fogo. Os apoiadores de Bolsonaro reagiram com indignação, enquanto os críticos do ex-presidente compartilharam as falas de Santa Cruz com entusiasmo.
Pra quem não se lembra, os dois – Santa Cruz e Bolsonaro – já tiveram tretas públicas antes. Em 2019, quando ainda era presidente da OAB, Santa Cruz acionou o STF depois que Bolsonaro fez comentários bem polêmicos sobre o desaparecimento do pai dele, Fernando Augusto de Santa Cruz, durante a ditadura militar.
Na época, Bolsonaro insinuou que sabia o que tinha acontecido com o pai do advogado, mas deixou no ar que a verdade poderia ser desconfortável:
– Um dia se o presidente da OAB [Felipe Santa Cruz] quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade – disse Bolsonaro na ocasião.
Essa fala gerou uma enorme controvérsia na época, especialmente porque Fernando Santa Cruz é tido como desaparecido político. A fala foi vista como insensível e até cruel, reacendendo feridas históricas da ditadura.
Agora, com a prisão domiciliar de Bolsonaro, Santa Cruz parece ter sentido que, de alguma forma, houve uma espécie de justiça – ou pelo menos um passo na direção dela, segundo ele mesmo. Mas a forma como ele expressou isso levantou uma discussão importante: até que ponto vale comemorar ou incentivar punições com palavras violentas, mesmo que contra alguém que também dividiu o país com suas atitudes?
As declarações de Santa Cruz podem até expressar o sentimento de parte da população, mas também escancaram o nível de polarização que o Brasil ainda vive. Não dá pra negar: o país está tenso, rachado, e qualquer declaração mais forte vira manchete e munição pros dois lados.
Seja como for, essa história ainda deve render pano pra manga. A prisão de Bolsonaro em regime domiciliar, a reação nas redes e os próximos capítulos do processo prometem movimentar o noticiário e, claro, as timelines por aí. A ver como isso vai se desenrolar…