Fez sinal que iria cortar a língua dela, diz mãe de jovem surda ameaçada e assediada por motorista escolar no interior de SP

Assédio em Transporte Escolar: Mãe Relata Abusos Sofridos por Filha Surda

Uma mãe, que preferiu não se identificar, trouxe à tona uma história chocante sobre os abusos sofridos por sua filha, uma menina surda e muda, cometidos por um motorista escolar conhecido como José Antonio Mamprim, mais conhecido por “Careca”, de 68 anos. Segundo a mãe, o homem ameaçava a criança para que ela não revelasse o que estava acontecendo. “Ela não escuta, mas fez sinal com o dedo. Ele disse que, se ela falasse, iria cortar a língua dela. Ameaçou muito ela, e eu acho que foi por isso que ela teve medo de me contar”, relatou a mulher, visivelmente angustiada.

Histórico de Abusos e Falta de Ação das Autoridades

A mãe explicou que o assédio começou em 2016, quando ela procurou a prefeitura e registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil. Contudo, segundo ela, as investigações não avançaram e o caso foi esquecido. “Na época, eu fui ao barracão da prefeitura e deixei claro que ele não poderia mais pegar a minha filha, porque ele estava sendo investigado por estupro. Falei bem alto, e eles o removeram. Eu queria que ela ficasse longe dele na Apae [Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais], mas não sei o que aconteceu lá. Ela dizia que via ele”, contou.

A mulher expressou sua indignação: “Como esse homem estava levando crianças ainda? Não faz sentido! Eu não conseguia entender que ele continuava a transportar outras crianças”. A prefeitura, quando procurada, afirmou não ter conhecimento da denúncia feita em 2016, enquanto a Secretaria de Segurança Pública declarou que a primeira ocorrência está sendo investigada junto com o caso atual.

Os Sinais de Alerta e o Trauma da Criança

A mãe começou a desconfiar da situação quando percebeu um hematoma no seio da filha. “Ela foi direto para o banheiro tomar banho, e minha filha caçula viu um hematoma grande, como se alguém tivesse mordido. Levei-a para o pronto-socorro, e lá disseram que era abuso, tentativas de abuso. Eu registrei um boletim de ocorrência”, relatou.

Como a família morava perto do motorista, eles frequentemente se encontravam, e ele costumava brincar com a menina. No entanto, após os abusos, a criança começou a ter medo dele. “Ele sempre brincava com minha filha, mas depois do que aconteceu, ela corria dele, tinha medo. Eu percebia que algo estava errado”, disse a mãe, visivelmente preocupada.

Os Efeitos Duradouros do Trauma

A mãe mencionou que a criança ainda lida com o trauma. “Ela não consegue se expressar bem, por ser deficiente auditiva, e qualquer coisa a faz chorar. Agora, ela vive com remédios, porque isso afetou a estrutura dela”, lamentou. O sofrimento da menina é palpável, e a mãe se sente impotente diante da situação.

Investigação e Prisão do Suspeito

Desde que as denúncias começaram a surgir, José Antonio Mamprim foi alvo de pelo menos seis queixas na Polícia Civil. O delegado Guilherme Carvalho de Oliveira explicou que os abusos ocorriam com adolescentes que eram deixadas por último no transporte escolar. “Ele era mais desinibido com as crianças, falava sobre atos libidinosos, mas tomava cuidado para selecionar quem deixaria por último para praticar os abusos”, destacou Oliveira.

Atualmente, Mamprim está preso temporariamente por 30 dias na cadeia de Colina, respondendo por estupro de vulnerável. A prefeitura de Colina informou que o motorista prestava serviços a eles por meio de uma empresa terceirizada.

Denúncias de Outras Vítimas

Uma adolescente de 12 anos relatou que, em 2024, enquanto dependia do transporte escolar, foi assediada pelo motorista em diversas ocasiões. Ela contou que ele a tocava nas pernas e fazia comentários de teor sexual. Outra adolescente de 14 anos também confirmou que sofreu abusos e mencionou que o comportamento do motorista era sistemático.

A situação é alarmante e levanta questões sobre a segurança das crianças no transporte escolar. As mães de outras vítimas também se manifestaram, unindo forças para que os abusos sejam denunciados e que as autoridades tomem medidas efetivas para proteger as crianças.

Por Que Precisamos Falar Sobre Isso

Casos como o de Colina não são isolados. A sociedade precisa estar atenta e educar não só as crianças sobre seus direitos, mas também os pais e responsáveis sobre a importância de denunciar qualquer abuso. O silêncio nunca é a solução, e é fundamental que todos se unam para criar um ambiente seguro para as crianças.

Se você ou alguém que você conhece está passando por uma situação semelhante, não hesite em buscar ajuda. A denúncia é o primeiro passo para a justiça e a proteção de outras crianças.



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