A Polêmica Prisão de Monalliza Escafura: Herdeira do Jogo do Bicho no Rio
Na manhã desta quinta-feira, dia 28, uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro levou à prisão de Monalliza Neves Escafura, filha do famoso bicheiro Piruinha, em sua residência localizada em Ipanema. A ação, que gerou bastante repercussão, faz parte de um esforço maior para combater a exploração do jogo do bicho e outras atividades ilegais relacionadas a jogos de azar.
O Contexto da Prisão
Em março deste ano, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ já tinha apresentado uma nova denúncia contra Monalliza, alegando que ela seria a líder de uma organização criminosa que opera com jogos ilegais. Essa estrutura inclui não apenas o jogo do bicho, mas também o funcionamento de máquinas caça-níqueis, além de outras modalidades que desafiam a legislação. A denúncia destaca que, após a morte de seu pai, José Caruzzo Escafura, que faleceu em janeiro de 2025, Monalliza assumiu o controle de várias operações clandestinas, gerindo aspectos financeiros e ocultando os lucros obtidos de forma ilegal.
A Dinâmica da Organização Criminosa
As investigações revelam que a movimentação financeira relacionada a essas atividades ilegais ultrapassa a marca de R$ 500 mil. Além disso, foi identificado o uso de laranjas para disfarçar a origem dos recursos, o que complica ainda mais a situação de Monalliza. O mandado de prisão foi expedido pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, refletindo a seriedade das acusações.
Quem foi Piruinha?
Para entender melhor o impacto da prisão de Monalliza, é importante conhecer a trajetória de seu pai, Piruinha. Considerado um dos líderes do jogo do bicho no Rio de Janeiro, Piruinha começou sua carreira criminosa na década de 1950, gerenciando bancas em áreas como Abolição, Piedade e Inhaúma. Ele rapidamente se destacou e, a partir da década de 1970, já era uma figura proeminente, controlando não apenas os bairros mencionados, mas também Madureira, Cascadura e Maria da Graça, todos situados na Zona Norte da cidade.
Um marco na vida de Piruinha ocorreu em 1993, quando ele e 14 outros bicheiros foram presos e condenados a seis anos por formação de quadrilha. Esse caso foi notório, pois foi a primeira vez na história do Rio que todos os líderes da contravenção foram julgados e encarcerados. A juíza Denise Frossard, responsável pelo julgamento, se tornou uma figura conhecida após esse episódio.
Os Desdobramentos Familiares
Diferentemente de outros bicheiros de sua época, Piruinha não se tornou um ícone cultural, como muitos de seus colegas que se associaram a escolas de samba. Entretanto, sua família mantém uma conexão com a Portela, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio, participando ativamente de sua diretoria.
Um evento trágico na vida da família Escafura foi o assassinato de Haylton Carlos Gomes Escafura, filho de Piruinha, em junho de 2017. Ele foi morto junto com a soldado da PM, Franciene de Souza, em um hotel na Barra da Tijuca. As investigações sugeriram que o crime estava ligado a disputas por pontos de máquinas caça-níqueis na região. Haylton, que tinha um histórico de prisões, havia sido libertado apenas cinco meses antes do crime.
A brutalidade do assassinato, onde os dois foram mortos a tiros dentro do banheiro de um quarto, chocou a opinião pública e trouxe à tona a violência que permeia o submundo do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Reflexões Finais
A prisão de Monalliza Escafura é mais um capítulo na longa e complexa história do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Com suas raízes profundas na cultura carioca, essa prática ilegal continua a ser um tema polêmico, envolvendo não apenas questões de criminalidade, mas também aspectos sociais e econômicos. O que ocorrerá a seguir para Monalliza e o legado de seu pai ainda é incerto, mas certamente será acompanhado de perto pela sociedade e pelas autoridades.