Folia com dinheiro público: Carnaval recebeu R$ 85 milhões

O carnaval de 2026 mal acabou e já virou assunto em Brasília, nos bastidores e, claro, nas redes sociais. Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, as festas deste ano receberam nada menos que R$ 85 milhões em verba pública. É dinheiro que não acaba mais. Desse montante, cerca de R$ 52 milhões vieram de emendas parlamentares, aquelas indicações feitas por deputados e senadores para bancar projetos em suas bases eleitorais.

Além disso, órgãos federais também abriram o cofre. A Embratur, presidida por Marcelo Freixo (PT), entrou com recursos, assim como a Caixa Econômica Federal. Em ano eleitoral, não é exagero dizer que cada centavo investido ganha um peso político diferente. Afinal, 2026 é ano de disputa presidencial, e todo movimento é observado com lupa.

O caso que mais chamou atenção foi o da Acadêmicos de Niterói. A escola levou para a avenida um samba-enredo em homenagem ao presidente Lula (PT), que busca a reeleição. Para muita gente da oposição, a apresentação soou como propaganda eleitoral antecipada. Já aliados dizem que foi apenas uma homenagem cultural, algo comum na história do carnaval.

A polêmica aumentou quando se soube que a agremiação recebeu R$ 1 milhão da Embratur. Críticos afirmam que o repasse pode ter viés político. Teve até recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para que o valor não fosse liberado. Mas o ministro Aroldo Cedraz autorizou, pedindo apenas esclarecimentos formais da escola, do presidente e da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

Freixo negou qualquer favorecimento. Disse que todas as escolas do Grupo Especial receberam o mesmo valor. Segundo ele, não houve privilégio, apenas investimento na cultura e no turismo. Mas convenhamos: em clima de eleição, ninguém é ingênuo. Tudo vira munição.

A Caixa também entrou forte na folia. Foram R$ 14,8 milhões destinados a camarotes, eventos e shows espalhados pelo país. Entre os artistas patrocinados estavam BayanaSystem, Luiz Caldas e Saulo. Enquanto isso, prefeituras bancaram cachês milionários. Wesley Safadão recebeu R$ 1,2 milhão por apresentação. Já Alok e Simone Mendes faturaram cerca de R$ 950 mil cada. É muito dinheiro para poucos dias de festa, diga-se.

Nos estados, os valores também impressionam. No Rio de Janeiro, o governo estadual investiu cerca de R$ 40 milhões. A Riotur repassou R$ 51,6 milhões para viabilizar desfiles e estrutura. Já em São Paulo, o governo estadual desembolsou R$ 30,2 milhões.

Defensores argumentam que o carnaval movimenta bilhões na economia, gera empregos temporários e aquece setores como hotelaria e alimentação. E isso é fato. Quem esteve no Sambódromo viu hotéis lotados, bares cheios e ambulantes comemorando vendas recorde. Por outro lado, há quem questione se, em meio a problemas na saúde e educação, esse volume de recursos é prioridade.

Entre os parlamentares que destinaram emendas estão Guilherme Boulos (Psol), que enviou R$ 500 mil para a tradicional Vai-Vai. A Comissão de Turismo e a Bancada da Bahia também destinaram verbas robustas, somando R$ 9 milhões e R$ 30 milhões, respectivamente.

No fim das contas, o carnaval segue sendo paixão nacional — mas também palco de disputas políticas. Entre confetes, serpentinas e cifras milionárias, fica a pergunta que não quer calar: é investimento cultural ou estratégia eleitoral disfarçada? Talvez seja um pouco dos dois. E o eleitor, cada vez mais atento, parece disposto a cobrar essa conta nas urnas.



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