Funcionária do Planalto revela que Michelle Bolsonaro recebeu kit de joias em mãos

O caso das joias sauditas entregues ilegalmente ao presidente Jair Bolsonaro e à sua esposa, Michelle Bolsonaro, é um exemplo claro do quanto o poder pode corromper as pessoas. A história revela a falta de ética e moralidade que permeia o atual governo brasileiro.

Segundo reportagem do Estadão, a primeira-dama teria recebido, em novembro de 2022, o segundo kit de joias sauditas que entrou ilegalmente no Brasil. As joias teriam chegado ao país em outubro de 2021, sem a aprovação da Receita Federal, através da comitiva do ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque.

O kit de joias é composto por um relógio com pulseira de couro, par de abotoaduras, caneta rosa gold, anel e um masbaha rose gold, todos da marca suíça Chopard. O recibo das joias entregues no Palácio da Alvorada foi assinado por um funcionário do Gabinete de Documentação Histórica da Presidência, Rodrigo Carlos do Santos, que também aparece listado no acervo privado de Bolsonaro.

A entrega das joias foi realizada pessoalmente pelo então presidente Jair Bolsonaro, que conferiu pessoalmente o pacote, juntamente com sua esposa. Quando o recebimento dos pacotes ilegalmente foi revelado, Michelle Bolsonaro repetiu diversas vezes que não tinha conhecimento dos itens e chegou a debochar das investigações.

O depoimento de uma funcionária do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH) – que atuava no setor à época – revelou que a servidora foi orientada pelo coordenador-geral do setor, Erick Moutinho Borges, a colocar no acervo de Bolsonaro um conjunto de joias que chegaria ao departamento em novembro de 2022. A caixa trazida por assessores do Ministério de Minas e Energia foi recebida pela funcionária, Erick e o museólogo Raniel Fernandes.

Após avaliarem as joias, o chefe do GADH à época, Marcelo Vieira, informou que, por razões de segurança, o conjunto deveria ser entregue ao Palácio da Alvorada. Um servidor do Alvorada teria, então, ido até o local para buscar a caixa.

Momentos depois, o administrador do Alvorada e braço-direito de Michelle, pastor Francisco de Assis Castelo Branco, teria falado com a funcionária, “informando que a caixa com as joias já estava na posse da primeira-dama, Michelle Bolsonaro”. Segundo o Estadão, documentos comprovam que o pacote foi entregue no Palácio da Alvorada.

O caso das joias sauditas entregues ilegalmente ao presidente e à primeira-dama é um exemplo claro da falta de ética e moralidade no atual governo brasileiro. Além disso, a atitude de Michelle Bolsonaro de debochar das investigações mostra a arrogância e a falta de transparência que permeiam a atual administração.

Alerta de presente
O presente em questão era um cavalo de ouro, que supostamente teria sido enviado por um grupo árabe ao presidente. Entretanto, o presente não era apenas uma estátua de ouro maciço, mas também incluía um conjunto de joias avaliado em cerca de R$ 18 milhões.

A descoberta deste presente extravagante ocorreu durante uma investigação da Polícia Federal brasileira, que descobriu que o presente havia sido cadastrado no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) antes mesmo de chegar ao país. De acordo com uma funcionária do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), o cadastro foi feito com o objetivo de “alertar a futura chegada de um presente ao presidente da República”.

O problema é que o cadastro ficou parado no SEI por mais de um ano, enquanto o presente ficou retido na Receita Federal. O registro só foi acionado novamente em novembro de 2020, após as eleições, mas não para a inclusão da estátua de ouro, que ainda estava retida na alfândega de Guarulhos. Na verdade, o registro foi usado para incluir o segundo pacote de joias enviadas pelos árabes, que entraram ilegalmente no país.



Recomendamos