Gilmar Mendes detona Eduardo Bolsonaro: “Ato de lesa-pátria”

Na volta dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (1º de agosto), o ministro Gilmar Mendes não economizou nas palavras. Durante a primeira sessão depois do recesso, ele fez questão de sair em defesa do colega Alexandre de Moraes, que vem sendo alvo de críticas e ataques – especialmente por parte do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Logo no início da sessão, o STF divulgou uma declaração institucional reforçando o compromisso da Corte com a proteção da Constituição e com os princípios democráticos. Depois disso, o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, fez um pronunciamento firme em defesa do tribunal e de seus integrantes. Mas foi Gilmar quem acabou chamando mais atenção com seu discurso direto, quase indignado.

Segundo ele, os ataques mais recentes contra o STF não são isolados, nem ingênuos. “Tem sido uma ofensiva articulada por pessoas com intenções claras. Não é apenas crítica política. É sabotagem mesmo”, comentou. Gilmar destacou ainda que essa hostilidade está sendo tocada por setores radicais, com Eduardo Bolsonaro em evidência no meio disso tudo. O ministro chamou a atuação do deputado nos Estados Unidos de um “verdadeiro ato de lesa-pátria” — o tipo de acusação que, diga-se, não se escuta todo dia nesse nível do Judiciário.

“Quero manifestar meu repúdio veemente aos atos de hostilidade que têm sido cometidos de forma unilateral e agressiva, sem o mínimo de civilidade ou respeito. Isso não é só falta de educação política. É um ataque ao pacto democrático”, disse o decano, com tom sério.

Gilmar também ressaltou que o STF é uma instituição independente e que está, sim, investigando tentativas de golpe de Estado. Mas segundo ele, os episódios mais recentes são ainda mais graves, porque não se tratam de mera retórica inflamada, e sim de movimentos organizados, pensados para sabotar o país. “Essas ações não nascem do acaso. São conduzidas por gente que já demonstrou desprezo pela democracia, usando as mesmas mentiras e radicalismos de sempre”, frisou.

E ele não parou por aí. O ministro foi direto ao dizer que os ataques ao ministro Alexandre de Moraes têm ligação direta com o fato de que Moraes lidera as investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro e outras ações que buscavam manter Bolsonaro no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022.

“Não dá pra fingir que não sabemos de onde vêm essas ofensas. Os ataques são motivados por frustração política. Um grupo que perdeu a eleição e resolveu partir pro tudo ou nada. E no meio disso, tem deputado fugindo do Brasil pra ir lá fora difamar o Supremo. Isso é covardia. Isso é traição”, disparou Gilmar, elevando o tom já no fim da fala.

Ao encerrar, o ministro afirmou que a democracia brasileira não pode ceder espaço para esse tipo de conduta — e muito menos para discursos de ódio que tentam minar a confiança nas instituições. “É fundamental que o STF se mantenha firme. Não é sobre proteger ministros, é sobre proteger o Estado Democrático de Direito”, finalizou.

O clima na Corte, apesar da fala dura, foi de união institucional. Mas nos bastidores, a leitura é de que o embate entre o Judiciário e a ala radical bolsonarista ainda está longe de acabar. E Gilmar já deixou claro: vai ter resposta.



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