Greve na UERJ dura quase uma semana e aulas de graduação seguem suspensas

A Greve na UERJ: Um Olhar Aprofundado Sobre as Demandas dos Servidores

A UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) encontra-se em um momento crítico, com as aulas de graduação suspensas em todo o estado devido a uma greve que já se estende por quase uma semana. A situação se agrava a cada dia que passa, com os professores e demais servidores da universidade reivindicando melhorias salariais que consideram essenciais para a dignidade do trabalho que realizam.

Entendendo a Motivações da Greve

A paralisação teve início na última quarta-feira, dia 25, e continua firme nesta terça-feira, dia 31. As principais exigências que estão sendo levantadas pelo corpo docente estão relacionadas ao aumento salarial, o que, segundo eles, é uma questão que não pode ser ignorada por mais tempo. De acordo com a Asduerj (Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a remuneração atual está defasada em impressionantes 26%. O professor Leonardo Kaplan, um dos representantes da categoria, expressou essa preocupação de forma clara: “É preciso cumprir a lei 9436/2021, que fala sobre a recomposição salarial, corrigindo parte das perdas que acumulamos devido à inflação nas últimas duas décadas. Isso totaliza cerca de 26%.”

A Lei Orçamentária e Suas Implicações

Ele ainda complementa que a recomposição salarial está prevista na LOA (Lei Orçamentária Anual), que foi aprovada pela Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em dezembro de 2025. Segundo ele, o governo já possui a autorização necessária para realizar os pagamentos, restando apenas a vontade política para que isso se concretize. Além disso, a categoria está cobrando o retorno do pagamento dos triênios, que foi suspenso em 2021, e também pede uma recomposição do orçamento da UERJ para atender as demandas de professores, servidores técnico-administrativos e estudantes.

Desigualdade no Orçamento Universitário

Os dados financeiros apresentados pela associação são alarmantes. Em 2025, foram executados cerca de R$ 2 bilhões para a universidade, enquanto a lei estadual determina que 6% da receita corrente líquida deveria ser destinada à UERJ. No ano passado, a receita líquida foi estimada em R$ 107 bilhões, o que significaria mais de R$ 6 bilhões para a universidade, resultando em um deficit de R$ 4 bilhões em relação ao que deveria ter sido efetivamente direcionado. Kaplan destaca que “o orçamento atual da UERJ é praticamente o mesmo de 2014. Apesar de termos criado novos cursos e expandido para novos campi, o orçamento se mantém praticamente igual”.

Voices dos Servidores: Uma Realidade Difícil

A situação não afeta apenas os docentes. Funcionários de diversas áreas da universidade também se sentem prejudicados. Gabriel Tolstoy, um técnico do Instituto de Biologia da UERJ, relata que está na instituição desde 2011 e já viveu três greves. Ele menciona que nunca houve uma negociação efetiva do governo do Rio de Janeiro com os trabalhadores. “O ex-governador Cláudio Castro recebeu a direção do Sintuperj (Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro) apenas uma vez, durante o segundo turno das eleições da reitoria da UERJ em 2023. Porém, não houve proposta alguma”, conta Tolstoy.

Ele ainda menciona que, devido à falta de correção salarial, metade de sua renda é comprometida apenas com o pagamento do aluguel. “A situação é insuportável. Meu aluguel já foi 20% da minha renda em 2018, e agora é 50%. Isso morando em lugares menores e mais precários que antes. A realidade dos trabalhadores é essa: muitos dos meus colegas estão endividados até o pescoço”, desabafa o técnico.

Condições Estruturais e de Trabalho

A crise se reflete também nas estruturas precárias dos prédios da UERJ e nas condições de trabalho, especialmente em campi como o da zona Oeste, que foi anteriormente a UEZO, e o Hospital Universitário Pedro Ernesto. A universidade, por sua vez, reconhece que seus servidores, tanto docentes quanto técnicos, enfrentam perdas salariais há anos. Em uma nota, a UERJ alegou que existe um subfinanciamento das atividades regulares da instituição, mas que está em busca de diálogo com os diferentes setores para encontrar soluções que garantam as condições necessárias para um funcionamento adequado.

A Resposta do Governo

O Governo do Estado, por sua parte, informou que está trabalhando para garantir a saúde financeira do Rio de Janeiro enquanto implementa políticas de valorização do funcionalismo. Isso inclui uma gestão planejada, ações para equilibrar despesas e receitas e medidas para aumentar a arrecadação. O estado também menciona que, enquanto ajusta o processo de adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), está sob as regras do Regime de Recuperação Fiscal, apresentando um cenário fiscal desafiador.

Essa situação gera um clima de incerteza e apreensão entre os servidores da UERJ, que esperam que suas vozes sejam ouvidas e que suas reivindicações sejam atendidas para o bem da educação pública no estado.



Recomendamos