Guilherme Boulos não perdoa e debocha de Flávio após desfile: “Chora não”

A segunda-feira (16/02) já começou pegando fogo na política brasileira. Logo cedo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, resolveu usar as redes sociais para rebater críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro. O motivo da treta? A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva feita pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, no desfile do domingo (15/02).

Pra quem não acompanhou, a apresentação da escola chamou atenção não só pelo luxo das fantasias, mas principalmente pelo tom político. Em pleno ano em que o país ainda vive um clima de polarização fortíssimo, qualquer menção a Lula ou a Jair Bolsonaro vira combustível pra debate — e, claro, para troca de farpas nas redes.

Foi aí que Boulos entrou na história. Na plataforma X, o antigo Twitter, ele respondeu à ameaça de ação judicial feita por Flávio. E respondeu com ironia, daquele jeito que já virou marca registrada dele. “Flávio Bolsonaro disse que vai à Justiça contra a homenagem da Acadêmicos de Niterói ao Lula. Fica tranquilo! Chora não. Quando houver desfile da Acadêmicos da Milícia vão homenagear você e seu pai”, escreveu o ministro.

A expressão “Acadêmicos da Milícia” foi uma provocação direta, uma cutucada mesmo. Não foi uma frase solta. Ela dialoga com investigações e acusações que já circularam nos últimos anos envolvendo o sobrenome Bolsonaro e temas delicados no Rio de Janeiro. Boulos, que nunca foi de aliviar no discurso, preferiu partir para o deboche — estratégia que, convenhamos, funciona muito bem nas redes sociais, onde uma frase ácida viraliza em minutos.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro não recuou. O senador afirmou que a apresentação teria ultrapassado limites ao incluir críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e até à instituição familiar. Segundo ele, a situação não é apenas política, mas moral. Em publicação nas redes, declarou que uma ação contra o que chamou de “crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público”, seria protocolada rapidamente no TSE.

A menção ao Tribunal Superior Eleitoral mostra que o embate pode ir além do campo simbólico do Carnaval. Flávio ainda escreveu que, além dos ataques pessoais ao pai, a escola teria atacado “o maior projeto de Deus na Terra: a família”. Finalizou com um tom quase de campanha: “Vamos vencer o mal com o bem!”.

É curioso observar como o Carnaval, que muita gente enxerga apenas como festa, brilho e samba no pé, virou também arena política. Não é de hoje. Historicamente, escolas de samba fazem críticas sociais, falam de desigualdade, racismo, fome. Mas quando o enredo encosta em figuras tão conhecidas e controversas, o barulho é maior. Muito maior.

Nos bastidores de Brasília, comenta-se que o clima anda tenso. Aliados de Lula tratam o episódio como algo pequeno, típico de redes sociais. Já apoiadores de Bolsonaro enxergam como desrespeito. A verdade é que, em 2026 no horizonte e com o país ainda dividido, qualquer faísca vira incêndio.

No fim das contas, o episódio mostra como política e cultura popular estão cada vez mais misturadas. Um desfile de escola de samba consegue provocar ameaça de ação judicial, troca de ironias e discursos inflamados. É o Brasil sendo Brasil: intenso, barulhento, às vezes exagerado.

E enquanto isso, o povo segue acompanhando tudo pelo celular, comentando, compartilhando, tomando partido. Porque hoje em dia a avenida não é só a Sapucaí. A avenida também é digital — e lá o desfile nunca termina.



Recomendamos