No último sábado, dia 27 de setembro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), acabou confirmando aquilo que muita gente já especulava nos bastidores: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve mesmo tentar a reeleição em 2026. A fala foi feita durante a participação de Haddad no Podcast Três Irmãos, em São Paulo, espaço que vem recebendo políticos e personalidades para conversas mais descontraídas.
Com um sorriso no rosto, Haddad foi direto: “Ele [Lula] é candidato a presidente, sim”. A declaração, apesar de curta, caiu como combustível no debate político que já começa a aquecer, mesmo faltando ainda mais de um ano para as eleições municipais de 2024. Afinal, a sucessão presidencial é um tema que mexe com a cabeça de todo mundo em Brasília.
Durante a entrevista, Haddad também foi questionado se ele próprio pensaria em voltar a disputar a Presidência em 2030, lembrando da sua experiência em 2018, quando enfrentou Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. O ministro respondeu de maneira cautelosa: “Até lá muita coisa pode acontecer”. Segundo ele, candidatura presidencial não pode ser tratada como projeto pessoal. “Esse negócio de ‘eu vou ser’ não tem lógica. É algo muito maior que isso”, completou.
Ao relembrar a disputa de 2018, Haddad contou que nem esperava ser candidato naquela época. A entrada dele se deu depois da inelegibilidade de Lula, que acabou mudando completamente o tabuleiro eleitoral. “Não entrei para fazer figuração, entrei para ganhar”, afirmou, reforçando que foi uma experiência dura, mas importante.
O ministro também comentou sobre o peso do acaso na política. Para ele, conquistar a Presidência da República depende de fatores únicos, às vezes até do que ele chamou de “catapulta do destino”. Em suas palavras: “Você pode planejar ser prefeito, governador, ministro… mas presidente é diferente, é quase como se fosse o destino te colocando ali”.
Lula candidato em 2026
A fala de Haddad surge poucas semanas depois de o próprio Lula ter dito, em entrevista ao SBT, que ainda não bateu o martelo sobre sua candidatura. O presidente destacou que só não concorrerá em 2026 se tiver problemas de saúde ou se aparecer alguém que ele considere mais preparado. Fora isso, está decidido: se entrar na disputa, será para ganhar.
Essa postura reforça o estilo direto do petista, que costuma falar sem rodeios. Em setembro, Lula deixou claro que a extrema-direita, em suas palavras, não voltará a comandar o Brasil. “Os democratas desse país não irão permitir. Se eu for candidato, entro para vencer, não importa quem seja o adversário”, disparou.
Até agora, Lula aparece como o nome mais forte do campo progressista, sem rivais de peso dentro da esquerda. O cenário na direita, por outro lado, ainda é incerto. Bolsonaro segue inelegível, mas mantém influência sobre parte significativa do eleitorado. Nomes como Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, e até Michele Bolsonaro circulam nas conversas de bastidores.
O debate sobre 2026 acontece em meio a um Brasil cheio de desafios: economia ainda em recuperação, inflação que dá sinais de queda, mas continua no radar das famílias, e discussões sobre a reforma tributária que Haddad tenta aprovar no Congresso. Fora isso, o país assiste aos desdobramentos da guerra na Ucrânia, o impacto do aumento do preço do petróleo e, claro, as tensões políticas internas que nunca dão trégua.
Lula, que completará 81 anos em 2026, aposta na imagem de experiência e resiliência. Seus aliados dizem que ele ainda tem energia para mais um mandato. Os adversários, por sua vez, criticam justamente a idade avançada e o risco de um governo marcado por limitações físicas.
Seja como for, a declaração de Haddad jogou mais lenha na fogueira. O clima eleitoral já começa a tomar conta das rodas de conversa, dos podcasts, das redes sociais e até das mesas de bar. Afinal, em política no Brasil, um simples “sim” pode mudar completamente o rumo da história.