A carta aberta divulgada por Sarah Tinoco Araújo nesta semana caiu como uma bomba em Itumbiara, no sul de Goiás. A cidade, que ainda tenta entender o que aconteceu naquela noite de 11 de fevereiro, voltou a se emocionar com as palavras da empresária. Foi o primeiro pronunciamento público dela desde a morte dos filhos, Miguel, de 12 anos, e Benício, de 8, além do marido, Thales Naves Alves Machado, que era secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara.
O caso, que já era assunto nas rodas de conversa, nas padarias e principalmente nas redes sociais, ganhou novos contornos depois da publicação. Segundo informações confirmadas pelas autoridades, Thales atirou contra os próprios filhos dentro da residência da família e, em seguida, tirou a própria vida. Uma cena difícil até de imaginar, quanto mais de aceitar.
Naquela quinta-feira à noite, a notícia se espalhou rápido. Em grupos de WhatsApp, no Instagram, no Facebook, todo mundo perguntava se era verdade. Infelizmente era. A tragédia atravessou os limites da cidade e chegou a outros estados, sendo destaque em portais e telejornais. Itumbiara, que costuma aparecer nas manchetes por questões políticas ou econômicas, dessa vez foi lembrada por uma dor coletiva.
Desde então, o silêncio de Sarah também chamava atenção. Amigos próximos diziam que ela estava recolhida, cercada pela família, tentando sobreviver a algo que parece impossível de suportar. A carta, publicada nas redes sociais dela, era aguardada com ansiedade por quem acompanhava o caso. Muitos queriam respostas. Outros, apenas uma palavra.
Logo nas primeiras linhas, Sarah não esconde o tamanho do sofrimento. “Hoje me dirijo a todos com a alma despedaçada por uma dor que palavras não conseguem traduzir. Perdi meus filhos, perdi minha família e uma parte de mim se foi para sempre”, escreveu. É o tipo de frase que a gente lê e precisa parar um pouco. Não é só informação, é sentimento cru.
Em outro trecho, ela fala sobre o casamento. Reconhece que enfrentava dificuldades e admite que cometeu falhas. Diz que carrega arrependimentos e o peso das próprias escolhas. Não entra em detalhes, mas deixa claro que existiam problemas na vida conjugal. Ainda assim, reforça que nada, absolutamente nada, pode justificar o desfecho trágico que atingiu a família. É uma mistura de culpa, revolta e incredulidade.
A Prefeitura de Itumbiara divulgou nota oficial lamentando o ocorrido e manifestando solidariedade. Informou também que está oferecendo apoio psicológico às pessoas próximas e que as autoridades seguem com os procedimentos formais. Mas, convenhamos, nenhum protocolo dá conta de uma dor dessas.
Quando fala dos filhos, o texto ganha outro tom. Mais doce, mais íntimo. Sarah descreve Miguel e Benício como crianças cheias de vida, de sonhos, de carinho. “Meus filhos eram inocentes. Não mereciam esse destino”, escreveu. Ela diz que eles eram a luz dos seus dias e que agora tudo virou saudade. Uma saudade que, segundo ela, machuca o tempo todo.
No fim da carta, vem o pedido de perdão. Às famílias, aos amigos, a todos que sofrem com a situação. Ela afirma estar atravessando a maior dor que uma mãe pode suportar. E faz um apelo a Deus, pedindo que receba Miguel e Benício com amor, que eles encontrem descanso e paz.
Em tempos em que tanta coisa vira discussão política ou disputa de versões, o que fica aqui é o luto. Um luto pesado, difícil de explicar. Itumbiara ainda tenta seguir a rotina, mas é visível que algo mudou. Talvez demore muito para que essa história deixe de doer. Talvez nunca deixe.