Igrejas evangélicas inclusivas polemizam ao questionar a bíblia: ‘opressiva’
O líder da Arena Church em Brasília, o pastor Chlisman Toniazzo, compartilhou sua experiência pessoal, desde sua infância em um ambiente familiar cristão, até o momento em que foi forçado a sair de casa aos 19 anos por revelar seu gênero.
Chlisman Toniazzo descreve como cresceu em um ambiente religioso e enfrentou rejeição por parte de sua família quando revelou sua homossexualidade. Determinado a conformar-se com as crenças da igreja que frequentava, ele lutou para negar sua própria identidade, inclusive recorrendo a terapias de “cura gay” e envolvendo-se em relacionamentos heterossexuais.
Contudo, ao longo do tempo, percebeu que não seria capaz de alterar sua verdadeira essência, o que resultou em sua expulsão da igreja e no abandono por parte de sua própria família.
Essa angustiante vivência motivou Chlisman Toniazzo a estabelecer a Arena Church, um ambiente inclusivo e acolhedor destinado a pessoas LGBTQIAPN+. Ele relata como, durante sua busca pela espiritualidade, explorou outras religiões na esperança de encontrar um lugar onde pudesse reconciliar sua orientação sexual com sua fé cristã.
Em um momento inesperado, ele presenciou um programa de televisão que abordava uma igreja estabelecida por um casal de pastores gays. Essa experiência o levou a reconsiderar suas convicções e a compreender que era viável conciliar sua identidade LGBTQIAPN+ com sua fé cristã.
De acordo com Christiano Valério, coordenador geral das Igrejas da Comunidade Metropolitana no Brasil (ICM), é importante ressaltar que tentativas de “cura” da homossexualidade, encontradas em certas comunidades cristãs fundamentalistas, podem acarretar danos emocionais significativos para pessoas LGBTQIAPN+.
Valério destaca que expressões carregadas de ódio e rejeição são encobertas por uma aparente “amorosidade”, resultando na internalização da homofobia e no surgimento de distúrbios psicológicos.
Uma outra perspectiva é apresentada por Bob Luiz Botelho, fundador do grupo Evangélicas Pela Diversidade e pastor na Iglesia Antigua De Las Américas. Ele argumenta que a inclusão de pessoas intersexo e transgênero nas igrejas é essencial, pois isso implica em reconhecer que Deus não criou apenas homens e mulheres, mas também corpos diversos que representam a criatividade divina. Botelho ressalta que ninguém tem controle sobre o plano de Deus para a vida de outra pessoa, e que as expectativas de gênero não devem limitar sua expressão.
Felipe Heiderich, um ex-pastor que revelou sua orientação sexual em 2021, ressalta que ao longo dos tempos, a Bíblia tem sido empregada para condenar mulheres e indivíduos negros. Atualmente, observa-se o seu uso como instrumento de ataque contra pessoas LGBTQIAP+.
Heiderich destaca que, em muitas ocasiões, a igreja busca estabelecer um inimigo para confrontar, transmitindo a mensagem de que a frequência em uma determinada igreja é indispensável para evitar a destruição da instituição familiar.
Papa Francisco diz que homossexualidade é pecado, mas não deveria ser crime.
O papa Francisco expressou sua opinião sobre as leis que consideram a homossexualidade como ilegal, caracterizando-as como “injustas”. Ele enfatizou que Deus ama todos os indivíduos em sua plenitude, independentemente de sua orientação sexual, e destacou a importância dos bispos em acolher a comunidade LGBTQIA+ em suas igrejas.
Apesar disso, o papa Francisco mencionou que considera a homossexualidade como um pecado. Ele diferenciou entre pecado e crime, afirmando que embora não seja um crime, ainda é uma transgressão religiosa.
“Posteriormente, ele enfatizou a importância da caridade mútua entre as pessoas.
O papa atribuiu a postura de certos bispos que apoiam leis que criminalizam a homossexualidade à influência cultural que esses religiosos carregam, e afirmou que é necessário que eles passem por um processo de transformação para acolher a todos. Ele ressaltou a necessidade de agirem com ternura, assim como Deus tem para cada um de nós.
Além disso, o papa afirmou que a Igreja Católica tem o poder e a responsabilidade de trabalhar para abolir essas leis. Ele mencionou o catecismo ao destacar que os indivíduos gays devem ser acolhidos e respeitados, e não marginalizados ou discriminados.”