Mariana Marins, irmã da jovem Juliana Marins, voltou a usar as redes sociais nos últimos dias para fazer um apelo que, segundo ela mesma, ninguém deveria precisar fazer. Desta vez, o pedido não é por justiça no caso da irmã, mas por atenção e humanidade nas trilhas, após o desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, de apenas 19 anos, no Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil.
Roberto sumiu enquanto descia a trilha do Pico Paraná, no Paraná, e o caso rapidamente começou a circular em grupos de montanhismo e nas redes sociais. Ao tomar conhecimento da história, Mariana disse ter sentido um “baque imediato”. Não por acaso. A situação trouxe lembranças muito recentes e dolorosas da morte de Juliana, que faleceu em junho de 2025 após cair de um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia.
Juliana tinha 26 anos, era do Rio de Janeiro, morava em Niterói e fazia um mochilão pela Ásia, algo que sempre sonhou. Na época, a família afirmou que ela foi deixada sozinha pelo guia por mais de uma hora antes do acidente fatal. Um detalhe que, agora, volta a aparecer na história de Roberto. Segundo informações iniciais, o jovem também acabou ficando para trás, sozinho, em plena montanha.
Em um desabafo forte, direto e sem filtro, Mariana falou sobre o sentimento de reviver tudo outra vez. “Hoje eu recebi várias mensagens sobre o desaparecimento do Roberto em uma trilha no Pico Paraná. É uma m**** saber que tem alguém passando por isso, porque é uma m**** passar por isso. Tanto o Roberto lá, sozinho, quanto a família dele aqui, sem saber de nada”, disse.
Na sequência, ela fez um apelo claro a quem gosta de trilhas, aventuras e montanhismo. Nada técnico, nada rebuscado. Apenas humano. “Jamais deixem uma pessoa sozinha numa trilha. Seja você guia ou acompanhante. Ninguém pode ficar pra trás. A vida de todo mundo importa, mesmo que demore 30, 40 ou 300 minutos a mais pra chegar no destino”, afirmou.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, Roberto subiu o Pico Paraná na quarta-feira, dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga. Durante o trajeto, ele teria passado mal. Mesmo assim, os dois chegaram juntos ao cume por volta das 4h da manhã de quinta-feira, 1º de janeiro. Após descansarem e encontrarem outros dois grupos no topo, decidiram iniciar a descida por volta das 6h30, junto com um desses grupos.
Em um ponto antes do acampamento, Roberto acabou se separando. Minutos depois, o segundo grupo também iniciou a descida e passou pelo local onde ele teria ficado, mas não o encontrou mais. A partir daí, o silêncio e a apreensão tomaram conta da situação.
O analista jurídico Fabio Sieg Martins, que fazia parte de um dos grupos na trilha, relatou como percebeu que algo estava errado. Segundo ele, ao chegar ao acampamento A1, encontrou apenas a amiga de Roberto na barraca. “Eu perguntei: ‘Cadê o Roberto?’. E ela não sabia. Aí bateu o desespero. Pensei que o guri tinha se desorientado lá no A2, que tava perdido lá em cima”, contou.
Assim que conseguiu sinal de celular, Fabio acionou o Corpo de Bombeiros e passou todas as referências possíveis sobre o local onde o jovem poderia estar. Desde então, equipes seguem mobilizadas nas buscas.
O caso reacende um debate que parece óbvio, mas insiste em se repetir: trilha não é lugar de pressa, vaidade ou descuido. Como Mariana disse, ninguém fica pra trás. Nunca. Porque, às vezes, uma decisão de minutos muda tudo. E, infelizmente, muda pra sempre.
