A primeira-dama Rosângela da Silva, mais conhecida pelo apelido que já virou marca registrada — Janja — desembarcou em Salvador na tarde dessa quarta-feira (13). Ao lado da primeira-dama da Bahia, Tatiana Veloso, ela chegou com uma agenda cheia de compromissos que misturam política, cultura e ação social. E, como não podia deixar de ser, sua presença já foi suficiente pra movimentar a capital baiana.
Assim que saiu do aeroporto, Janja seguiu direto para o Fera Palace Hotel, aquele prédio histórico e chique que fica no coração do centro antigo da cidade. O lugar, que vive aparecendo no Instagram de artistas e influenciadores, carrega o título de primeiro hotel de luxo do Nordeste. São 81 quartos, várias salas de eventos e reuniões, e diárias que vão de pouco mais de mil reais a quase seis mil — isso se a vista for para a Baía de Todos-os-Santos, claro. Como era esperado, a chegada teve esquema de segurança reforçado, com policiais militares circulando e fazendo revista na área.
A agenda oficial começou logo cedo na quinta-feira (14). Pela manhã, Janja esteve em Cajazeiras, bairro periférico da cidade, para participar de um culto evangélico organizado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. A ideia, segundo os organizadores, é estreitar laços com lideranças religiosas e diminuir aquela barreira histórica que ainda existe entre parte do público evangélico e o governo federal.
Do alto do púlpito, a primeira-dama fez questão de falar sobre o papel da mulher. “Ser mulher não é fácil, seja na religião, no trabalho, ou na vida. A gente precisa deixar de ter nossas vozes abafadas. Essa força coletiva, dialogando com o poder público, é que garante mais direitos. Existem lugares que são nossos por direito, e precisamos ocupar”, disse ela, arrancando aplausos.
Essa não é a primeira vez que Janja participa de algo do tipo. No Rio de Janeiro, ela já havia se reunido com pastores e lideranças para discutir temas como democracia, combate à violência de gênero e direitos humanos. Em Salvador, o tom foi parecido, mas com mais foco na realidade das comunidades baianas.
Depois do almoço, acompanhada de Tatiana Veloso, Janja visitou uma cozinha comunitária no bairro da Boca do Rio. Mantido pelo programa Bahia Sem Fome, o espaço oferece refeições para famílias em situação de vulnerabilidade e ainda serve como ponto de apoio para várias outras ações sociais. Entre uma conversa e outra com moradores, Janja ouviu histórias sobre como o projeto ajuda a manter comida no prato de quem mais precisa.
Amanhã (15), o roteiro leva a comitiva até Cachoeira, no Recôncavo baiano. Lá, Janja vai participar da tradicional Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, uma das celebrações mais emblemáticas da cultura afro-brasileira. O evento também terá a presença de figuras importantes do governo, como as ministras Margareth Menezes, da Cultura, e Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos.
Essa festa não é só religiosidade — é resistência, é memória viva de um povo. E é isso que deve marcar a passagem da primeira-dama por lá. Depois da celebração, ela volta pra Salvador para fechar a agenda participando do aniversário de 20 anos da Associação Fábrica Cultural, que funciona no Mercado Iaô, na Ribeira.
No fim das contas, a passagem de Janja por Salvador não se resume a compromissos formais. É também um movimento simbólico, de aproximação e escuta, num momento em que o governo tenta dialogar com diferentes setores da sociedade. E, claro, não deixa de ser um giro pelo que a Bahia tem de mais vibrante — da fé no Recôncavo às cozinhas comunitárias da capital.