A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, que atua no Tribunal do Júri – 1º Sumariante da Comarca de Belo Horizonte, resolveu dar um basta na novela envolvendo a defesa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos. Ele é acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes e, até agora, vinha trocando de advogado como quem troca de camisa.
Segundo a magistrada, essa dança das cadeiras de advogados estava causando um verdadeiro tumulto processual, atrasando o andamento do caso. Por isso, decidiu que Renê precisa escolher, de forma definitiva e imediata, quem será o advogado responsável por sua defesa. Nada de novas cartas, revogações e confusões. A ordem é clara: ou decide logo, ou o processo não anda.
Entendendo melhor a situação
No último dia 25 de agosto, Renê já havia trocado de defensor pela terceira vez. Em uma carta enviada ao tribunal, ele justificou a mudança e disse que o crime teria sido apenas “um acidente”. Atualmente, o empresário está preso na Penitenciária de Caeté, na Grande BH, e afirmou que houve um “mal-entendido” na contratação anterior.
O criminalista Bruno Rodrigues foi o último advogado a assumir o caso, depois que Renê revogou a procuração que havia dado a Dracon Cavalcanti Lima. Só que, para aumentar ainda mais a confusão, Dracon apareceu no presídio e declarou que nunca recebeu, de fato, um pedido oficial para deixar a defesa. Ou seja, existe até a possibilidade de ele voltar para o processo.
Essa troca de advogados, além de gerar polêmica, tem atrasado o julgamento. E como bem sabe quem acompanha os noticiários jurídicos, esse tipo de estratégia, às vezes, é usada para ganhar tempo. A juíza não deixou barato e determinou urgência na decisão.
O que aconteceu no dia do crime
Renê contou em depoimento que estava indo para o trabalho em Betim, cidade da região metropolitana, onde havia começado há apenas uma semana em um novo emprego. Ele disse que, com medo do trajeto — que considerava perigoso — resolveu pegar escondido a arma da esposa, que é delegada da Polícia Civil, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira.
De acordo com o empresário, era a primeira vez que ele mexia na pistola, já que a esposa sempre o proibia de ter contato com o armamento. Ressaltou ainda que a arma não era a funcional da delegada, mas sim uma de uso particular, guardada em uma caixa.
Durante o percurso, Renê disse que acabou entrando em um beco sem saída. Populares o orientaram a retornar e, nesse momento, ele tirou a arma da mochila, colocando-a debaixo da perna. Enquanto manuseava a pistola, houve o disparo.
Segundo ele, não percebeu que tinha atingido ninguém. Chegou até a tentar recuperar uma munição que caiu no chão, mas, sem sucesso, entrou novamente no carro e seguiu viagem até o trabalho. Depois contou à polícia que, se soubesse que alguém tinha sido ferido, teria parado para prestar socorro.
Ansiedade, remédio e confusão
Outro detalhe que chama atenção no depoimento é que Renê afirmou ter esquecido de tomar a medicação para bipolaridade naquele dia. Disse que estava ansioso com o novo emprego e acabou se descuidando. Não se lembrou do nome exato do remédio, mas explicou que serve para equilibrar o humor, ou como ele mesmo disse, para “acertar a cabeça”.

Um caso que gera repercussão
O crime teve grande impacto na região metropolitana de BH, já que a vítima, Laudemir, era um gari conhecido pelos moradores. Nos últimos meses, casos como esse têm levantado debates sobre o uso de armas de fogo no Brasil, especialmente após flexibilizações na legislação e discussões em torno da segurança pública.
Agora, com a pressão da Justiça, Renê terá que parar de trocar de advogados e finalmente definir quem vai defendê-lo. Só assim o processo poderá seguir em frente e a sociedade, bem como a família da vítima, terão a chance de ver a conclusão desse caso que mistura tragédia, polêmica e muita burocracia.