Kamala Harris faz campanha para democratas nas Midterms de olho em 2028

Kamala Harris: O Retorno à Campanha e o Futuro Incerto

Kamala Harris, a ex-vice-presidente dos Estados Unidos, está fazendo seu retorno ao cenário político, voltando a se envolver ativamente na campanha eleitoral para ajudar os democratas em algumas das disputas mais acirradas das Eleições de Meio de Mandato, conhecidas como Midterms. Este momento é crucial, pois Harris está em uma fase de avaliação sobre se deverá ou não se candidatar à presidência novamente em 2028.

A Atuação de Harris nas Eleições de Meio de Mandato

A candidata do Partido Democrata em 2024, que não obteve sucesso nas últimas eleições, fez um número relativamente baixo de aparições públicas neste ano. Entretanto, com o partido lutando para quebrar o domínio republicano no Congresso, Harris decidiu participar de eventos de campanha em estados estratégicos como Geórgia, Mississippi, Nevada, New Hampshire e Wisconsin.

Esse retorno acende novamente as discussões sobre seu futuro político, especialmente em um momento em que muitos possíveis concorrentes começam a emergir para a corrida presidencial de 2028.

Discurso e Atividades Recentes

Na semana passada, Harris deu início a sua turnê em Las Vegas, onde apresentou um novo discurso que criticou o que ela chamou de crueldade do presidente Donald Trump. Ela sempre foi conhecida por mesclar críticas contundentes com frases inspiradoras, o que se tornou uma de suas marcas registradas desde que fez história ao se tornar a primeira mulher, afro-americana e asiática a ocupar o cargo de vice-presidente.

Durante um evento, ela se dirigiu a uma plateia composta por membros do Culinary Workers Union, ao lado de Aaron Ford, candidato a governador e o primeiro procurador-geral negro de Nevada. Harris mencionou Ford como um potencial candidato a se tornar o “primeiro governador negro a oeste do Mississippi”.

“Estamos enfrentando uma batalha séria,” declarou Harris. “O que estamos testemunhando é uma brutalidade absoluta vinda do que é, sem dúvida, a administração presidencial mais corrupta, insensível e incompetente.”

Percepções do Eleitorado

Assim como Donald Trump, que está se movimentando pelo país em apoio a candidatos republicanos, Harris também não desfruta de grande popularidade entre o eleitorado. Uma pesquisa de opinião realizada pela Reuters/Ipsos em junho revelou que apenas 39% dos americanos tinham uma visão favorável dela. É interessante notar que esses números mostram uma divisão partidária significativa: enquanto 82% dos democratas a veem positivamente, apenas 7% dos republicanos e 33% dos independentes compartilham dessa visão.

“Na reta final de uma campanha, você traz a campo seus nomes de maior peso,” comentou Elaine Kamarck, pesquisadora sênior da Brookings Institution e membro do Comitê Nacional Democrata. “É exatamente isso que está acontecendo com ela — e, francamente, também com Trump.”

Desafios e Oportunidades Futuras

No dia seguinte ao seu evento em Las Vegas, Harris participou de uma manifestação onde gritou “O Mississippi importa!” ao lado de uma multidão que apoiava Scott Colom, que está na corrida para se tornar o primeiro senador democrata eleito pelo Mississippi desde 1982. As pesquisas indicam que a disputa contra a republicana Cindy Hyde-Smith será bastante acirrada.

Harris começou seu discurso dando um conselho que costuma oferecer aos jovens: “Nunca deixe que a incapacidade de outra pessoa de enxergar o seu potencial se torne uma limitação para a sua ambição.” Ela enfatizou essa frase, repetindo-a para reforçar sua mensagem e arrancar aplausos da plateia.

A Incerteza em Relação ao Futuro Político

Caso decida concorrer novamente à presidência em 2028, Harris poderá ser um dos principais nomes em um cenário democrático que promete ser bastante competitivo. No entanto, ela também carrega o peso de derrotas anteriores: perdeu as eleições presidenciais de 2024 para Trump e sua primeira tentativa de chegar à Casa Branca foi interrompida antes mesmo do início das primárias democratas de 2020.

Uma possível campanha em 2028 forçaria Harris a revisitar a tumultuada disputa democrata de 2024, quando o então presidente Joe Biden encerrou abruptamente sua campanha. Em seu livro de memórias, “107 Days”, que se refere ao curto período de campanha que herdou, Harris descreveu a decisão de Biden de buscar a reeleição como “imprudente”. Recentemente, ela criticou o apoio de Biden à guerra em Gaza, afirmando que os EUA deveriam ter agido com mais firmeza e rapidez.

Reflexões Finais

Scott Ferson, estrategista democrata, mencionou que o partido frequentemente deixa de lado candidatos que sofreram derrotas. No entanto, ele acredita que eleitores desiludidos com Trump podem começar a olhar para Harris com uma nova perspectiva. “Ela tem um tipo de apelo que transcende barreiras,” disse Ferson, “especialmente entre aqueles que se afastaram em 2024 ou que nem se deram ao trabalho de votar.”

Ao ser questionada em um videocast se planejava se candidatar novamente, Harris respondeu de forma descontraída, “Ah, querida, fala sério! Ainda não decidi.” No entanto, deixou claro que as eleições de meio de mandato são prioritárias. “2028 não importa se não fizermos a coisa certa em 2026.”



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