Lula defende estoque regulador na Petrobras e compra de refinaria na Bahia

Lula Propõe Estoque Regulador de Petróleo para Proteger Brasil de Crises

Na última sexta-feira, dia 20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, fez uma declaração importante durante a visita à Refinaria Gabriel Passos, localizada em Betim, Minas Gerais. Ele defendeu a ideia de criar um estoque regulador de petróleo na Petrobras, com o objetivo de evitar que o Brasil se torne ‘vítima’ de conflitos internacionais e greves que podem afetar o fornecimento de combustíveis no país.

Por que um Estoque Regulador é Necessário?

Durante seu discurso, Lula levantou questões pertinentes sobre a volatilidade do mercado de petróleo, especialmente em tempos de conflito. “Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador pra gente não ser vítima do que está acontecendo hoje. E se essa guerra durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do estreito de Ormuz?”, questionou o presidente. Essas indagações refletem a preocupação do governo com a dependência do Brasil em relação ao petróleo importado e a necessidade de resiliência em tempos de crise.

A Conversa com a Presidente da Petrobras

Lula também compartilhou que teve uma conversa com Magda Chambriard, presidente da Petrobras, sobre a viabilidade de um estoque regulador. Ele mencionou que Magda alertou que manter um estoque desse tipo poderia ser bastante oneroso. No entanto, o presidente argumentou que a soberania de um país exige que se tenha reservas de produtos essenciais, como arroz e feijão, para enfrentar crises e especulações de mercado.

O Que Isso Significa para o Brasil?

“Quando eu cheguei na presidência agora, não tinha um quilo de feijão no estoque regulador, não tinha arroz. Se um país é soberano, ele tem que ter um estoque de arroz, um estoque de feijão, um estoque de alguma coisa que não seja perecível para enfrentar crises”, disse Lula, enfatizando a necessidade de um planejamento estratégico para garantir a segurança alimentar e energética do Brasil.

Recompra da Refinaria Landulpho Alves

No mesmo evento, Lula abordou outro tema importante: a recompra da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), que foi vendida em 2021 durante o governo de Jair Bolsonaro. Segundo informações da Controladoria-Geral da União (CGU), a venda foi realizada abaixo do preço de mercado para o fundo Mubadala Capital, que é ligado à família real dos Emirados Árabes Unidos. O presidente afirmou categoricamente: “Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar a refinaria da Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar.”

Retomando a Prospecção de Petróleo

Lula criticou a ideia de que o Brasil deveria se afastar da prospecção de petróleo e se tornar dependente de importações. “Nós vamos continuar fazendo as coisas que é preciso ser feito para esse país”, assegurou, enfatizando a importância de uma política energética autônoma.

Impacto da Guerra no Oriente Médio e Preço dos Combustíveis

A guerra em curso no Oriente Médio está impactando os preços dos combustíveis globalmente. O governo brasileiro, consciente disso, decidiu zerar o PIS e Cofins do preço do diesel como uma forma de tentar conter a alta do combustível. Essa medida visa reduzir o peso da oscilação dos preços internacionais sobre o mercado interno, potencialmente aliviando a pressão no custo do diesel, que é um insumo vital para o transporte de cargas e para a produção agropecuária.

Os Desafios Persistem

Apesar das tentativas do governo de minimizar o impacto da alta dos combustíveis, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) registrou um aumento de 11,8% no preço médio do diesel em relação à semana anterior. Além disso, a gasolina também apresentou um aumento de 2,5%. Para investigar essa situação, a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar abusos de preços nos combustíveis em todo o país, enquanto a ANP, em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), realiza fiscalizações em diversos estados.

Essas ações e propostas do governo são um reflexo da complexidade do cenário atual, que exige uma abordagem estratégica e proativa para garantir a segurança energética e alimentar do Brasil.



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