Lula detona Trump por cassação de visto de Lewandowski: “Vergonhoso”

Na manhã desta terça-feira, 26 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a reunião ministerial no Palácio do Planalto com um tom bem mais firme do que o habitual. O motivo não foi apenas a pauta administrativa do encontro, mas a polêmica decisão do governo dos Estados Unidos de cancelar o visto do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. A notícia caiu como uma bomba nos corredores de Brasília e mexeu diretamente com os bastidores políticos da semana.

Lula não perdeu tempo e, diante de ministros e assessores, expressou apoio irrestrito a Lewandowski, deixando claro que considerou a medida americana um desrespeito. “Minha solidariedade a você por conta do gesto irresponsável dos Estados Unidos de cassar o teu visto. Eles estão deixando de receber uma personalidade da tua competência, da tua capacidade. Eu acho que é vergonhoso para eles, não para você”, disse o presidente, em tom de indignação.

O clima no salão era de unidade, pelo menos no discurso. Muitos ministros usavam um boné azul com a frase “O Brasil é dos Brasileiros”, slogan que o governo vem adotando em campanhas recentes para reforçar a ideia de soberania nacional. Curiosamente, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, apareceu sem o acessório, o que gerou alguns cochichos discretos entre os presentes. A ausência do boné pode parecer detalhe, mas em Brasília até a escolha de uma peça de roupa ganha significado político.

Vale lembrar que essa foi apenas a segunda reunião ministerial do ano, mas o governo tratou de dar a ela um peso simbólico. Não se falava apenas de metas de gestão ou das prioridades para 2026, ano que promete ser carregado de disputas políticas e debates eleitorais, mas também da imagem do Brasil diante do mundo. A mensagem passada pelo Planalto é de que o país não aceita humilhações externas, principalmente vindas de uma potência como os EUA, que sempre tiveram relações intensas com o Brasil — nem sempre equilibradas, é verdade.

Para muitos analistas, a fala de Lula vai além de uma simples defesa do ministro. O presidente quis dar um recado claro sobre política externa: o Brasil, sob seu comando, não abaixará a cabeça para pressões internacionais, mesmo que venham de Washington. Esse tipo de posicionamento tem sido cada vez mais frequente em discursos de Lula, que já aproveitou reuniões do G20 e encontros bilaterais recentes para reforçar a necessidade de um mundo multipolar, menos dependente do eixo Estados Unidos-Europa.

Do outro lado, a decisão norte-americana também gera questionamentos. O que teria motivado o cancelamento do visto de Lewandowski? Nos corredores diplomáticos circulam versões diferentes: desde uma suposta divergência política até questões mais burocráticas ligadas à política migratória dos EUA, que, sob o governo de Joe Biden, enfrenta forte pressão interna. Não é coincidência que o tema surja em ano eleitoral americano, no qual qualquer gesto diplomático pode ser lido como movimento estratégico.

Lula, no entanto, preferiu não entrar em especulações. O recado foi direto: a medida é “inaceitável”. Na prática, esse episódio pode acabar fortalecendo Lewandowski internamente, já que o ministro passa a ser visto como vítima de uma arbitrariedade externa, ganhando ainda mais respaldo dentro do governo e entre setores do PT.

Enquanto isso, a reunião seguiu seu roteiro: balanço das ações ministeriais, cobrança por resultados e projeções de políticas públicas para os próximos anos. Mas a verdade é que, mesmo com toda a pauta administrativa, o episódio com os Estados Unidos acabou sendo o assunto central da manhã.

No fim, o que fica é uma cena bastante simbólica: Lula, rodeado por ministros, boa parte deles com o boné azul “O Brasil é dos Brasileiros”, falando de peito aberto contra uma decisão que, na visão dele, afronta não apenas um ministro, mas a própria soberania nacional. Uma mistura de diplomacia, política interna e, claro, aquele toque de disputa narrativa que sempre acompanha os grandes momentos da política brasileira.



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