Mais de 10 toneladas de peixes mortos são recolhidas em Campina Grande (PB)

A Crise Ambiental no Açude Velho

No último fim de semana, Campina Grande, na Paraíba, viveu momentos preocupantes com a morte de mais de 10 toneladas de peixes no Açude Velho. O cenário alarmante começou a se desenhar quando a água do reservatório, que já era conhecida por ser um ponto turístico e fonte de lazer para os moradores, apresentou uma coloração estranha e um odor desagradável. Essa situação não passou despercebida pela Prefeitura, que imediatamente mobilizou esforços para lidar com o problema.

O Que Está Acontecendo?

A administração municipal, em um esforço conjunto com o Ministério Público da Paraíba (MPPB), se reuniu para discutir as causas e soluções para a crise. De acordo com informações divulgadas, o problema está relacionado à eutrofização, um fenômeno que ocorre quando há um excesso de nutrientes na água, como nitrogênio e fósforo. Este desequilíbrio, segundo a prefeitura, favorece a proliferação de algas e microorganismos, que, ao se decompor, consomem uma grande quantidade do oxigênio dissolvido no reservatório, resultando em alterações na qualidade da água e na morte dos peixes.

Como a Eutrofização Afeta o Ecossistema?

A eutrofização é um processo natural, mas muitas vezes acelerado por atividades humanas, como o lançamento inadequado de esgoto e fertilizantes nas águas. Em períodos de calor intenso e baixa circulação hídrica, a situação se torna ainda mais crítica. O resultado é uma água turva e malcheirosa, repleta de algas que, além de serem prejudiciais à vida aquática, afetam também os seres humanos que dependem deste recurso para diversas atividades, desde o abastecimento até o lazer.

Ação da Prefeitura

A Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) informou que a operação de retirada dos peixes mortos começou no domingo e está sendo realizada com a ajuda de mais de 60 servidores. Além da remoção dos peixes, medidas de limpeza da superfície da água e a oxigenação do reservatório estão sendo implementadas. Essas ações são essenciais para tentar mitigar o impacto ambiental e restaurar a qualidade da água do Açude Velho.

Futuro do Açude Velho

Enquanto isso, a Prefeitura também está se preparando para um projeto de recuperação a longo prazo do açude. A fase de planejamento já está em curso, com levantamentos técnicos e a elaboração de projetos que serão utilizados para a licitação das obras. Os recursos virão do Fonplata, um fundo financeiro voltado para o desenvolvimento da Bacia do Prata. Entre as intervenções previstas, destacam-se a dragagem do reservatório, melhorias na infraestrutura urbana ao seu redor, ações de acessibilidade e um tratamento adequado da água, com um início programado para o primeiro semestre de 2026.

Envolvimento da Universidade

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) também está colaborando nesse processo, oferecendo análises e projetos que guiarão a requalificação do açude. Essa parceria entre o poder público e instituições de ensino é fundamental para garantir que as soluções adotadas sejam eficazes e sustentáveis.

Reuniões e Investigação

No dia 13 de março, o vice-prefeito Alcindor Villarim Filho se encontrou com representantes do Ministério Público da Paraíba para discutir a crise ambiental. Durante essa reunião, o procurador Álvaro Campos e o promotor Hamilton Neves Filho, que é responsável pela Defesa do Meio Ambiente em Campina Grande, estiveram presentes, mas até o momento nenhuma medida concreta foi divulgada. Uma nova reunião foi agendada para o dia 20, com secretários municipais, na Promotoria da cidade, na esperança de encontrar respostas e soluções rápidas para a situação.

Investigação de Crime Ambiental

Para complicar ainda mais a situação, a Polícia Civil da Paraíba (PCPB) abriu um inquérito para investigar a possibilidade de crime ambiental no Açude Velho. Amostras de água e de peixes foram coletadas e enviadas ao Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) para análise. No entanto, o prazo para a conclusão dos laudos ainda não foi definido, aumentando a ansiedade da população que aguarda por respostas.

É um momento crítico para Campina Grande, e as ações que estão sendo tomadas agora podem determinar o futuro do Açude Velho e do ecossistema local. A comunidade está atenta, esperando que medidas eficazes sejam adotadas para restaurar a saúde das águas e garantir a qualidade de vida dos cidadãos.



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