Mamonas Assassinas: Jornalista revela como Globo chegou antes dos bombeiros e relembra atitude de curiosos

A jornalista Eleonora Paschoal, que na época era repórter da Globo, enfrentou um plantão tumultuado em 2 de março de 1996, devido a uma forte tempestade que atingiu a periferia de São Paulo. O carro da equipe da emissora ficou atolado na lama, e eles foram resgatados por um helicóptero da Band.

“Voltei para a emissora, coloquei a reportagem no ar e fui embora, imunda e cansada”, conta Eleonora, em entrevista exclusiva ao NaTelinha. Depois de uma ida ao shopping para jantar, voltando para casa, ela deu de cara com um motoboy da Globo, acionando para lhe informar sobre a suspeita da queda de uma aeronave na Serra da Cantareira. “Fiz alguns contatos e, em questão de minutos, eu já sabia que era o avião dos Mamonas Assassinas.”

Mesmo tendo a informação confirmada, o diretor da Globo vetou a divulgação da notícia, mas Eleonora insistiu que tinha certeza de que eram os Mamonas. Como ela estava fazendo um curso de pilotagem de aeronaves na época, traçou um plano de voo com o piloto da Globo, considerando as possibilidades de local do acidente. Eleonora também sabia que o learjet usado pela banda era um avião de caça adaptado para passageiros, que exigia um piloto muito bem treinado.

“Já localizamos os destroços. O helicóptero da PM ainda não decolou. Vamos fazer um acerto?” Eleonora propôs dar as coordenadas, com uma condição: “O senhor segura toda a imprensa aqui e só eu vou com a tropa. Como fui eu que achei, tenho o direito de ser a primeira a chegar”. Ela ouviu um alerta do oficial: “Os meus homens não vão carregar nenhum equipamento nem vão socorrer você nem seu cinegrafista se vocês escorreguem. É por sua conta em risco”.

E desse modo Eleonora Paschoal foi a única jornalista autorizada a adentrar a mata, juntamente com o cinegrafista Américo Figueiroa. “Enquanto achávamos os destroços, eu ia fazendo a minha matéria, contando o que estava vendo. Tudo o que vimos, assim que que chegamos, foi horrível, muito triste mesmo. Por várias vezes, foi preciso parar para respirar fundo. Nosso pensamento era: ‘Calma, vamos lá. A gente precisa esclarecer o que aconteceu e contar para as pessoas. E a gente só vai fazer isso se ficar equilibrado”

O helicóptero da Globo decolou logo no primeiro raio de sol de domingo, 3 de março de 1996, e Eleonora foi para a Serra da Cantareira passar a madrugada lá, antes da polícia e do corpo de bombeiros. No dia seguinte, ela negociou com o comandante do grupamento para ser a primeira a chegar aos destroços do avião. Eleonora foi autorizada a entrar na mata com o cinegrafista Américo Figueiroa, sendo a única repórter autorizada a fazê-lo. Ela fez sua reportagem enquanto achava os destroços, mesmo sendo uma cena lamentável e triste.

O pensamento de Eleonora e sua equipe era esclarecer o que aconteceu e contar para as pessoas, mantendo a calma e o equilíbrio. Essa cobertura histórica foi uma das mais importantes da TV brasileira, e a atitude corajosa e determinada da jornalista foi crucial para o sucesso da reportagem.

“Falo disso e fico até arrepiada até hoje”

A reação de alguns curiosos também surge entre as lembranças mais arrepiantes daquele trabalho. “As pessoas começaram a correr para a Serra, e pegavam tudo o que viam pelo caminho. As pessoas queriam souvenirs daquela tragédia. Falo disso e fico até hoje.”

“Todo mundo era fã deles. Eu também gostava das músicas, até hoje gosto. Meu filho tem 21 anos, ou seja, não viveu aquela febre, mas adora Mamonas Assassinas desde pequeno. Havia um carinho nacional, e eu me encaixo nessa legião de fãs. Achava a banda o máximo, com aquela vontade de viver e aquela luz para divertir as pessoas.”



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