Michelle reage à fala de Lula sobre ‘lata de conserva’ no Carnaval: ‘Podridão é exposta’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou assunto outra vez, e dessa vez no meio do brilho, das plumas e também da polêmica do Carnaval 2026. Durante o desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que resolveu homenageá-lo na avenida, uma ala acabou causando revolta nas redes sociais ao retratar evangélicos como “latas de conserva”. A cena dividiu opiniões, inflamou debates e respingou direto no Palácio do Planalto.

Questionado sobre o assunto, Lula tentou se desvincular da confusão. Disse que não tinha nada a ver com a criação da ala ou com o enredo. “Eu não penso, porque, primeiro, eu não sou carnavalesco. Eu não fiz o samba-enredo, não cuidei dos carros alegóricos, eu apenas fui homenageado em uma música maravilhosa”, afirmou o presidente. A fala, no entanto, não esfriou os ânimos. Pelo contrário, acabou dando ainda mais combustível para quem já estava incomodado.

O Carnaval desse ano, que já vinha sendo marcado por disputas políticas nos bastidores e críticas sobre uso de verbas públicas, ganhou mais esse capítulo. A ala chamada “neoconservadores em conserva” trouxe integrantes fantasiados como se estivessem dentro de latas gigantes. A proposta, segundo a escola, era uma crítica bem-humorada ao conservadorismo. Mas para muita gente passou longe do humor e soou como ataque direto à fé alheia.

Nas redes sociais, o vídeo do desfile viralizou em poucas horas. Pastores, influenciadores cristãos e políticos se manifestaram. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi uma das que reagiram publicamente. Em seus Stories no Instagram, ela rebateu a declaração de Lula com ironia. “Não pensa, não é o carnavalesco, não fez o samba-enredo, não cuidou dos carros alegóricos. Teve anuência da chacota e do escárnio e, mesmo assim, não se apôs. Ainda diz que foi extraordinário”, escreveu.

Michelle ainda completou com uma frase que muitos interpretaram como indireta pesada: “Não adianta. As máscaras caem, a podridão é exposta e a verdade sempre prevalece”. A publicação rapidamente circulou em grupos de WhatsApp e páginas de política, reacendendo a polarização que parece nunca tirar férias no Brasil.

Enquanto isso, no Congresso, a oposição resolveu agir. Parlamentares acionaram a Procuradoria-Geral da República contra a escola de samba. O senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) protocolaram pedido alegando que houve “ridicularização pública de grupo religioso”. Para eles, a liberdade artística não pode ultrapassar o respeito à fé das pessoas.

A discussão levanta uma velha pergunta que sempre volta nessa época do ano: até onde vai a liberdade de expressão no Carnaval? A festa, que é conhecida justamente por críticas sociais e políticas, já homenageou e ironizou diversas figuras públicas ao longo das décadas. Mas quando religião entra no meio, o debate fica ainda mais sensível.

Há quem defenda a escola, dizendo que o Carnaval é espaço de sátira e reflexão. Outros afirmam que faltou bom senso. No meio disso tudo, Lula tenta manter distância do enredo que levou seu nome para a avenida. Mas é inegável que, sendo o homenageado principal, acaba envolvido na narrativa.

O episódio mostra que, no Brasil atual, praticamente tudo vira disputa ideológica. Seja no plenário, nas igrejas ou na Sapucaí. E o que era pra ser apenas um desfile festivo acabou se transformando em mais um capítulo da novela política nacional. Até quando? Difícil saber. O que dá pra afirmar é que, passada a quarta-feira de cinzas, a ressaca dessa polêmica ainda promete render.

Confira:



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