Moraes usa gravata com estampa de cachorros e chama atenção no tribunal

Nos últimos dias, a cena que mais chamou atenção no Supremo Tribunal Federal não foi apenas o peso das condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro, mas sim um detalhe curioso que escapou das togas e discursos formais: a gravata usada pelo ministro Alexandre de Moraes. Sim, a gravata. E não era qualquer uma. Ele apareceu na sessão desta terça-feira (9) com uma peça cor-de-rosa cheia de cachorrinhos estampados, o que gerou comentários nos corredores de Brasília, nas redes sociais e até mesmo em grupos de WhatsApp de advogados e jornalistas.

O acessório em questão não é de produção nacional, mas sim da marca italiana Salvatore Ferragamo, conhecida por seus artigos de luxo. De acordo com buscas em sites especializados em revenda, o preço da gravata pode variar, mas gira em torno de R$ 1,4 mil. Para quem não está acostumado com esse tipo de mercado, é um valor quase surreal por um pedaço de seda que vai amarrado no pescoço. Mas, dentro do universo da política, onde símbolos, roupas e até pequenos gestos têm significado, o detalhe virou pauta.

O modelo é feito 100% em seda e carrega desenhos que lembram traços infantis, com cachorrinhos simpáticos distribuídos pela superfície. A escolha da cor rosa também destoou, já que normalmente em julgamentos dessa magnitude se espera um tom mais sóbrio, como azul marinho, cinza ou vinho. Para alguns, o contraste foi proposital. “Moraes quis passar a imagem de leveza diante da gravidade do momento, como quem diz: a Justiça não perde a ternura”, comentou, em tom irônico, um professor de ciência política da UnB em entrevista à imprensa.

Por outro lado, teve gente que leu a cena de forma completamente diferente. Houve comentários de que o ministro poderia estar querendo demonstrar confiança e até mesmo uma certa ironia com os acusados, que enfrentavam justamente o julgamento de uma das páginas mais tensas da história recente do Brasil. A sessão discutia a responsabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete aliados pela tentativa de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022.

No voto, Alexandre de Moraes não deixou dúvidas: pediu a condenação de todos os envolvidos, reforçando a tese de que houve, sim, uma articulação golpista para subverter a ordem democrática. O relator usou palavras duras e detalhou a atuação de cada acusado, deixando claro que a gravata engraçadinha não significava de maneira alguma suavidade no julgamento.

Enquanto isso, fora da bolha institucional, as redes sociais se divertiram com a cena. No Twitter, usuários fizeram montagens do ministro ao lado de cães da raça beagle, outros sugeriram que o acessório poderia ser uma “homenagem discreta” ao famoso cachorro Caramelo, símbolo de várias campanhas brasileiras. Até perfis ligados ao humor político, como o “Choquei”, repercutiram a situação com memes, lembrando que, em tempos de polarização, até uma peça de roupa vira munição para debates intermináveis.

A discussão sobre a gravata também escancarou um ponto curioso: como pequenos detalhes visuais têm cada vez mais impacto no cenário político. Em um mundo dominado por transmissões ao vivo e trechos que viralizam em segundos no TikTok, um acessório pode se tornar tão comentado quanto o conteúdo jurídico em si. Isso não é exatamente novidade. Basta lembrar do ex-ministro Joaquim Barbosa, que ficou famoso por usar gravatas coloridas durante o julgamento do mensalão, ou da então presidente Dilma Rousseff, criticada por repetir roupas em eventos oficiais.

Voltando ao caso, o contraste entre a gravata descontraída e a rigidez do tribunal acabou virando um símbolo de como o Brasil vive tempos contraditórios: de um lado, decisões que podem mudar os rumos da democracia; do outro, a capacidade de rir de pequenos detalhes mesmo em meio à tensão. Talvez esse seja, no fim das contas, um dos traços mais brasileiros possíveis.

E se a intenção do ministro era realmente passar uma mensagem subliminar ou apenas vestir algo que lhe agradasse, isso provavelmente nunca será revelado. Mas, sem dúvidas, no dia em que se decidiu parte do destino político de Bolsonaro e de seus aliados, quem roubou parte dos holofotes foi uma gravata de cachorrinhos cor-de-rosa avaliada em R$ 1,4 mil. Ironia ou acaso, o fato é que, nesse Brasil de 2025, nada passa despercebido — nem mesmo o figurino de um ministro do STF.



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