Nos últimos dias, uma fala da atriz Nathalia Dill chamou bastante atenção e levantou de novo aquele velho debate sobre política, liberdade de expressão e, claro, cancelamento nas redes. Durante uma entrevista no podcast Desculpa Alguma Coisa, ela contou que perdeu um contrato de publicidade por conta de uma publicação antiga em suas redes sociais. E não foi qualquer detalhe: segundo Nathalia, a empresa teria desistido do trabalho depois de vasculhar seus posts e encontrar um conteúdo ligado ao ex-presidente Lula.
A situação aconteceu agora, em 2024, mas tem origem em 2021, quando a atriz compartilhou uma foto usando um vestido vermelho e fazendo o sinal de “L” com a mão. O gesto, como muita gente sabe, acabou virando símbolo entre apoiadores do petista durante as eleições de 2022. De acordo com ela, mesmo depois de anos, essa simples postagem foi suficiente para a marca abandonar a campanha publicitária.
“Perdi. Perdi agora, dois anos depois, tá? Era uma empresa de publicidade. Eles falaram: ‘Não queremos problemas. Somos neutros’”, relatou a atriz no bate-papo. E esse “somos neutros” abre espaço pra muita discussão, porque na prática a neutralidade acaba sendo também uma posição, né?
É interessante perceber como esse tipo de episódio não acontece só com Nathalia. A gente já viu recentemente artistas, influenciadores e até jogadores de futebol enfrentarem situações parecidas. Basta lembrar quando alguns famosos declararam voto ou se posicionaram em relação a temas polêmicos como vacinação, meio ambiente e até questões de diversidade. Muitos perderam patrocínios, enquanto outros, curiosamente, ganharam ainda mais espaço justamente por abraçar determinada bandeira.
No caso da atriz, ela mesma contou que, dentro do meio artístico, sua posição política nunca trouxe grandes problemas. Ou seja, o ambiente de trabalho direto, nas novelas e produções, seguiu normalmente. A questão foi mesmo com marcas preocupadas com a repercussão pública. Isso mostra como o mundo da publicidade, em tempos de redes sociais e cancelamentos instantâneos, vive pisando em ovos. Qualquer deslize, ou até mesmo uma opinião sincera do contratado, pode virar “problema” para a empresa.
E cá entre nós, essa história joga luz sobre um dilema que muita gente enfrenta no dia a dia: até que ponto vale a pena expor o que você pensa nas redes? A verdade é que, em 2024, estamos vivendo um cenário ainda polarizado, mesmo depois de quase dois anos das últimas eleições. As discussões sobre Lula, Bolsonaro, direita, esquerda… continuam quentes, seja no boteco, na fila do mercado ou nos grupos de WhatsApp da família.
Vale lembrar que não é só no Brasil que rolam essas tretas. Nos Estados Unidos, por exemplo, artistas como Taylor Swift e até jogadores da NBA já foram pressionados por posicionamentos políticos. E, curiosamente, por lá, muitas vezes os posicionamentos acabam fortalecendo a imagem deles. Aqui, parece que o medo de perder público ainda fala mais alto.
No fim das contas, a fala de Nathalia Dill deixa uma reflexão: a arte e a política estão ligadas desde sempre, mas vivemos um tempo em que as marcas, preocupadas em “não se comprometer”, preferem se afastar de qualquer sinal de polêmica. Só que esse afastamento também é um posicionamento, mesmo que disfarçado de neutralidade.
Nathalia, ao que tudo indica, não pretende mudar sua postura. Ela foi clara ao relembrar o episódio e pareceu tranquila em assumir que, sim, perdeu um contrato, mas não perdeu sua coerência. E, num país onde todo mundo cobra autenticidade, talvez isso valha mais do que um comercial na TV.