Na manhã desta quarta-feira, dia 24 de dezembro, véspera de Natal, enquanto muita gente ainda pensava em ceia, peru e confraternização em família, um assunto político tomou conta das redes sociais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou sendo alvo de críticas após o deputado Nikolas Ferreira (PL) divulgar que o petista teria colocado sigilo de 100 anos em nada menos que 77 atos do governo.
A informação caiu como uma bomba, principalmente porque o próprio Lula, lá em 2022, ainda em clima de campanha eleitoral, havia feito um discurso completamente diferente. Na época, ele criticava duramente o uso exagerado do chamado “sigilo centenário”. Em um vídeo que voltou a circular agora, Lula dizia que qualquer coisa virava sigilo de 100 anos e prometia acabar com isso caso fosse eleito. “Isso tem que ser investigado. Se a pessoa for honesta, não deve temer”, afirmou o então candidato, com aquele tom firme que todo mundo conhece.
Pois bem. Dois anos depois, o cenário parece outro. Nikolas Ferreira, que não perde uma oportunidade de provocar o governo, resgatou essa fala antiga e jogou lenha na fogueira. De forma direta, questionou: “Mas isso não ia acabar?”. A crítica ganhou força após o jornal Folha de São Paulo divulgar a existência desses 77 atos colocados sob sigilo. Até agora, o Palácio do Planalto não explicou claramente do que se trata cada um desses pedidos, o que só aumentou a desconfiança de parte da população.
Nas redes, a discussão virou guerra. De um lado, apoiadores do governo tentam minimizar, dizendo que sigilo é algo previsto em lei e que governos anteriores também fizeram uso disso. Do outro, críticos afirmam que Lula está repetindo práticas que ele mesmo condenava, inclusive quando Jair Bolsonaro era presidente. E aí surge a pergunta que muita gente tem feito, mesmo em rodas de conversa de Natal: será que Lula também tem algo a esconder?
Não é de hoje que o tema da transparência pesa na política brasileira. O uso de sigilos, especialmente os de 100 anos, sempre gera ruído, porque passa a sensação de que informações importantes estão sendo escondidas do povo. Seja Lula, Bolsonaro ou qualquer outro, a cobrança é a mesma. Afinal, quem governa deveria explicar melhor suas decisões, até pra evitar esse tipo de desgaste desnecessário.
Como se não bastasse, Nikolas Ferreira aproveitou o momento para tocar em outro assunto polêmico e antigo: a facada sofrida por Jair Bolsonaro em 2018. Em publicação recente, ele relembrou que o ex-presidente enfrenta até hoje problemas de saúde por conta do ataque. Segundo o deputado, o autor do crime, Adélio Bispo, ex-filiado ao PSOL, nunca teve sua motivação totalmente esclarecida. “Inacreditável como esse caso ainda não foi resolvido e não sabemos quem mandou matá-lo”, escreveu Nikolas.
Esse tipo de fala sempre reacende debates fortes e, muitas vezes, emocionais. Tem quem ache que o caso já foi esclarecido pela Justiça, e tem quem jure que ainda existem pontas soltas. O fato é que, anos depois, o episódio ainda rende discussão e segue sendo usado como arma política.
No fim das contas, o Brasil segue preso nesse ciclo de acusações, revelações, desmentidos e silêncio oficial. Enquanto isso, o cidadão comum só quer entender o que está acontecendo de verdade. Se os 77 sigilos têm justificativa técnica ou se são apenas mais um erro político de comunicação, isso ainda precisa ser explicado. Até lá, a desconfiança continua, e o debate promete longe de acabar — nem mesmo em clima de Natal.
Mas isso não ia acabar? https://t.co/Lijtcn7JwC pic.twitter.com/xedxnxbPO5
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) December 24, 2025