O ex-presidente Jair Bolsonaro passou a ser oficialmente classificado como “custodiado sensível” pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A definição consta em um ofício encaminhado diretamente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no qual a corporação solicita autorização para mudanças importantes na rotina do ex-chefe do Executivo, atualmente custodiado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Segundo o documento, a condição especial não está ligada a privilégios, mas sim aos riscos à segurança institucional provocados pela repercussão política, social e midiática da condenação de Bolsonaro. Para a PMDF, o histórico do ex-presidente e o cargo que ocupou por quatro anos ampliam a possibilidade de hostilidades, tumultos, tentativas de aproximação indevida e até incidentes mais graves dentro da unidade prisional.
O pedido é assinado pela comandante-geral da PMDF, coronel Ana Paula Barros Habka, que ressalta que a situação exige protocolos diferenciados. Na avaliação da corporação, tratar Bolsonaro como um preso comum pode comprometer tanto a segurança dele quanto o controle do batalhão responsável pela custódia.
Mudança no dia de visitas preocupa PM
Um dos pontos centrais do ofício é a solicitação para alterar o dia de visitas do ex-presidente. Atualmente, as visitas ocorrem às quintas-feiras, mesmo dia destinado aos demais detentos e também período de intenso fluxo de servidores públicos na unidade.
A PMDF pede que as visitas sejam transferidas para o sábado, quando o movimento é consideravelmente menor. No documento, a corporação afirma que manter a visitação em dias úteis “amplia de forma significativa os riscos à segurança institucional”, além de dificultar a segregação adequada dos ambientes e o controle rigoroso da circulação de pessoas.
Em outras palavras, a presença de Bolsonaro atrai atenção demais. Visitantes, curiosos, apoiadores e até opositores acabam criando um cenário que, segundo a polícia, foge do padrão e exige mais efetivo, mais vigilância e mais planejamento.
Caminhadas vigiadas e questão de saúde
O ofício também aborda um pedido feito pela defesa de Bolsonaro relacionado à saúde. A PMDF solicita autorização do STF para permitir caminhadas controladas e restritas, sempre sem contato com outros presos e em áreas previamente definidas do 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado no chamado “Papudinha”.
De acordo com o documento, as caminhadas ocorreriam sob escolta permanente, em locais como o campo de futebol e uma pista asfaltada nos fundos da unidade. Tudo monitorado, sem improviso e sem risco de interação com outros detentos.
A corporação destaca que a medida não foge dos protocolos já adotados em situações semelhantes e tem como objetivo preservar a integridade física do preso, especialmente diante da idade e do histórico médico do ex-presidente, que já passou por diversos procedimentos cirúrgicos nos últimos anos.
Apoio religioso ampliado
Outro ponto citado no ofício é a ampliação da assistência religiosa. A PMDF pede autorização para que Bolsonaro receba acompanhamento da Capelania da corporação, tanto na vertente católica quanto evangélica, nos mesmos moldes já praticados dentro do batalhão.
Segundo a polícia, o suporte espiritual faz parte da rotina institucional e não representa tratamento diferenciado, mas sim a manutenção de um direito básico do custodiado.
“Não é privilégio”, diz PM
Ao final do documento, a Polícia Militar do DF reforça que todas as medidas solicitadas não configuram privilégio, mas ações preventivas. O objetivo, segundo o texto, é garantir a segurança institucional, evitar incidentes e preservar a integridade física de um preso considerado sensível em razão do contexto político que o cerca.
Agora, cabe ao ministro Alexandre de Moraes decidir se autoriza ou não as mudanças pedidas. Enquanto isso, o caso segue alimentando debates, críticas e reações nas redes sociais, mostrando que, mesmo fora do Planalto, Bolsonaro continua no centro da turbulência política brasileira.