Patrimônio da esposa de Alexandre de Moraes cresceu extraordinariamente entre 2023 e 2024

O patrimônio da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), virou assunto nos bastidores de Brasília e também fora deles. Entre 2023 e 2024, os números chamam atenção até de quem já está acostumado com cifras altas: os bens declarados saltaram de R$ 24 milhões para cerca de R$ 79,7 milhões. Na ponta do lápis, isso representa um crescimento de mais de 230% em apenas um ano. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, e rapidamente começou a circular em grupos políticos, jurídicos e nas redes sociais.

Não é segredo que a vida de figuras ligadas ao Judiciário costuma ser observada com lupa. No caso de Viviane, 2025 acabou se tornando um ano especialmente turbulento. Em setembro, o nome dela apareceu na lista de pessoas sancionadas pela chamada Lei Global Magnitsky, legislação internacional usada para punir indivíduos suspeitos de corrupção ou violações de direitos humanos, com congelamento de bens e restrições financeiras. O detalhe que aumentou ainda mais a repercussão foi o fato de o ministro Alexandre de Moraes já estar sob a mesma sanção desde o fim de julho. O casal, no entanto, foi retirado da lista no dia 12 de dezembro, o que gerou novas especulações e debates — e, claro, nenhuma falta de opiniões nas redes.

Enquanto isso, outro ponto começou a ganhar força no noticiário: um contrato milionário envolvendo o escritório Barci de Moraes Advogados. No início de dezembro, vieram a público detalhes de um acordo firmado com o banco Master. As informações apareceram a partir de dados encontrados no celular de Daniel Vorcaro, controlador da instituição. Segundo esses registros, o contrato previa pagamentos de R$ 3,6 milhões por mês durante três anos. Se tudo fosse levado até o fim, o valor total chegaria a impressionantes R$ 129 milhões.

O contrato, pelo que se sabe, não especificava processos ou causas concretas. A descrição era genérica, falando em atuação do escritório em diferentes frentes jurídicas. Isso, por si só, já levantou questionamentos. Para piorar (ou esquentar ainda mais o assunto), o banco Master entrou em liquidação antes que todo o valor fosse pago. Mesmo assim, mensagens analisadas pela Polícia Federal indicariam que os repasses ao escritório eram tratados como prioridade absoluta por Vorcaro, conforme conversas com funcionários do próprio banco. É aquele tipo de detalhe que, em investigação, pesa bastante.

Daniel Vorcaro, aliás, não é um nome qualquer nessa história. Ele foi um dos alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para apurar um esquema de concessão de créditos considerados fraudulentos dentro do banco Master. Entre os pontos investigados está, inclusive, a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), um banco público ligado ao governo do Distrito Federal. De acordo com os investigadores, as possíveis fraudes podem chegar a cifras gigantescas, na casa dos R$ 17 bilhões. Um número difícil até de imaginar.

Em meio a tudo isso, o crescimento patrimonial de Viviane Barci passou a ser analisado sob diferentes ângulos. Advogados, analistas políticos e até gente comum se perguntam como esses fatos se conectam — se é que se conectam. Há quem diga que tudo está dentro da legalidade, há quem ache estranho, e há quem prefira esperar os próximos capítulos. No Brasil de hoje, marcado por polarização e desconfiança, dificilmente um caso desse tamanho passaria despercebido ou sem controvérsia.

O fato é que o episódio reúne ingredientes que sempre rendem debate: dinheiro alto, nomes poderosos, investigações policiais e decisões que ecoam além dos tribunais. Resta saber o que ainda vai surgir dessa história e se novas informações trarão mais clareza ou apenas mais ruído. Como costuma acontecer por aqui, a novela jurídica e política parece longe de acabar.



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