Perícia na bebida ingerida por Hungria traz reviravolta ao caso

A reportagem conseguiu com exclusividade informações sobre a perícia feita pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nas amostras da vodca ingerida por Gustavo da Hungria Neves, o Hungria Hip Hop, de 34 anos. O resultado oficial aponta que as bebidas não tinham contaminação por metanol, substância tóxica e perigosa que chegou a ser especulada nos primeiros momentos do caso.

De acordo com os investigadores, todas as amostras foram examinadas em detalhes, passando por diferentes análises químicas, e nenhuma delas apresentou vestígio de metanol. Por outro lado, um detalhe chamou a atenção: foi confirmado que uma das garrafas de vodca consumida pelo cantor era falsificada. Esse dado muda o rumo da apuração, já que abre espaço para investigação sobre a origem da bebida.

Na tarde de sexta-feira, 3 de outubro, a equipe médica responsável pelo tratamento do rapper concedeu coletiva de imprensa. O médico assistente, Leandro Machado, relatou que Hungria vem apresentando melhora clínica significativa. Ele contou ainda que um dos sintomas enfrentados pelo artista foi visão turva, o que gerou preocupação inicial, especialmente porque casos de intoxicação por metanol costumam afetar diretamente a visão. Porém, segundo Machado, o atendimento rápido foi decisivo. “Ele não corre risco de perder a visão”, garantiu. O artista segue internado no Hospital DF Star, em Brasília, onde está sendo monitorado de perto.

Comerciantes serão chamados

A PCDF informou que, na próxima semana, vai ouvir os comerciantes responsáveis pela venda das bebidas ingeridas pelo cantor. A Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), em ação conjunta com a Vigilância Sanitária (Visa-DF), a Anvisa e o Ministério da Agricultura (Mapa), já recolheu diversas amostras. O material foi retirado tanto das bebidas que Hungria consumiu quanto de lotes encontrados em um supermercado da capital e em uma distribuidora. Tudo foi encaminhado ao Instituto de Criminalística para novos testes periciais.

Um dos pontos mais delicados envolve a distribuidora Amsterdan, localizada em Vicente Pires. Foi justamente nesse local que as bebidas adquiridas pelo artista foram compradas. A empresa acabou interditada, já que não possuía licença de funcionamento válida. Além disso, havia suspeitas de comercialização de produtos clandestinos. Todo o estoque associado ao lote duvidoso foi recolhido pelas autoridades.

O caso de Hungria reacende o alerta sobre falsificação de bebidas alcoólicas, um problema recorrente no Brasil e que ganha espaço principalmente em épocas de grande consumo, como feriados prolongados. Só neste ano, operações da Receita Federal e da Polícia em estados como São Paulo e Goiás já apreenderam milhares de garrafas falsas. Nas redes sociais, fãs do cantor têm se mobilizado, pedindo mais fiscalização e até compartilhando dicas de como identificar embalagens adulteradas.

Vale lembrar que falsificação de bebidas não é apenas um crime contra o consumidor, mas também um risco de saúde pública. O uso de insumos baratos, armazenamento inadequado e ausência de controle sanitário podem levar a intoxicações graves. Ainda que no caso do Hungria não tenha sido detectado metanol, o susto acendeu o debate.

Recuperação do artista

Enquanto isso, Hungria segue cercado pela família e por uma equipe médica multidisciplinar. Segundo pessoas próximas, ele está mais tranquilo, conversando normalmente e até brincou sobre voltar logo aos palcos. A assessoria do cantor informou que novos boletins médicos devem ser divulgados ao longo da próxima semana.

Entre os fãs, a expectativa é de que o artista retome sua agenda de shows ainda este ano. Nos últimos meses, Hungria vinha em ritmo intenso de trabalho, participando de projetos colaborativos com outros nomes do rap nacional e se preparando para lançar um novo álbum.

Por fim, o episódio serve de alerta não apenas para consumidores, mas também para autoridades. Casos como esse mostram que, por trás de um simples copo de bebida, pode existir toda uma rede clandestina de comércio irregular. Agora, resta acompanhar os próximos passos da investigação para entender de onde veio a vodca falsificada e se há outros envolvidos nesse esquema.



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