Prefeitura na BA publica decreto que determina abate de animais abandonados em vias públicas

A Prefeitura de Cravolândia, uma cidade localizada no sudoeste da Bahia, recentemente publicou um decreto que autoriza o abate de animais que estejam soltos em vias públicas, caso os tutores não sejam encontrados. No entanto, essa ação é ilegal e se enquadra na Lei de Crimes Ambientais, o que gerou uma grande repercussão negativa tanto nas redes sociais quanto na própria cidade.

Após a publicação do decreto no Diário Oficial e a intensa reação da população, a prefeitura alegou, inicialmente por telefone, que houve um “erro de digitação” e que o decreto seria corrigido. No entanto, a gestão municipal prometeu emitir uma nota oficial para esclarecer a situação.

De acordo com o decreto, algumas etapas devem ser seguidas antes do abate dos animais soltos em vias públicas. Primeiramente, é determinado que eles sejam apreendidos e recolhidos utilizando equipamentos e veículos adequados. Caso não seja possível o transporte, o decreto autoriza o sacrifício dos animais no local onde eles forem encontrados.

Além disso, o decreto estabelece que, uma vez recolhidos, os animais devem ser encaminhados para um depósito e ficarão disponíveis para o proprietário por um prazo de cinco dias. Caso os tutores não façam a retirada dos animais nesse período, eles poderão ser vendidos, doados ou entregues a entidades de pesquisa.

No entanto, é importante ressaltar que essa determinação vai de encontro à legislação ambiental brasileira, uma vez que o abate de animais nessas circunstâncias é considerado crime. A Lei de Crimes Ambientais, que estabelece normas e sanções para as infrações contra o meio ambiente, não permite o abate de animais sem o cumprimento dos devidos procedimentos legais.

Essa legislação visa proteger a fauna brasileira e garantir o respeito e a preservação da vida animal. O abate indiscriminado de animais, mesmo em situações de abandono ou soltura em vias públicas, não é uma solução adequada e vai contra os princípios éticos e legais que devem ser seguidos.

Existem outras medidas mais adequadas e condizentes com a legislação ambiental que podem ser adotadas nesses casos. É responsabilidade das autoridades municipais e de toda a sociedade trabalhar em conjunto para conscientizar os tutores de animais sobre a importância de cuidar de seus pets e evitar que eles fiquem soltos nas ruas.

A conscientização da população sobre a guarda responsável de animais, a esterilização para evitar a reprodução descontrolada e o incentivo à adoção são algumas das ações que podem ser implementadas para enfrentar o problema dos animais soltos nas vias públicas. Além disso, é fundamental que as prefeituras invistam em estrutura e políticas públicas que promovam o acolhimento adequado desses animais, como a criação de abrigos e centros de reabilitação.



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