Queda no Jaraguá: família questiona relatório e arquivamento do inquérito

Luto e Justiça: A Luta da Família por Mudanças na Aviação Privada Após Tragédia

Três anos se passaram desde a fatídica queda de um helicóptero que resultou na morte de duas pessoas na região do Pico do Jaraguá, localizada na Grande São Paulo. Desde então, os familiares das vítimas, especialmente a família do copiloto João Augusto Hjertquist, não têm medido esforços para exigir mudanças significativas nas regras que regem a aviação privada. Eles acreditam que é essencial implementar normas mais rigorosas para prevenir que tragédias como essa voltem a ocorrer.

Questionando o Relatório do Cenipa

A família de João Augusto não se contentou com o que consideram ser um relatório incompleto e insatisfatório do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Eles contestaram o arquivo final e o arquivamento do inquérito policial, alegando que o documento não refletiu com precisão a realidade do voo e falhou em estabelecer diretrizes essenciais para evitar novas catástrofes. Para a família, o relatório deveria ter sido mais incisivo ao abordar as causas do acidente e as responsabilidades envolvidas.

O Estado de Saúde do Piloto

Um dos pontos mais críticos levantados foi o estado de saúde do piloto Edison dos Santos Mendes, que estava no comando da aeronave no momento do acidente. O laudo necroscópico revelou a presença de cocaína e antidepressivos em seu organismo, substâncias que poderiam ter comprometido sua capacidade de visão e julgamento durante o voo. Por outro lado, o exame de João Augusto não apresentou qualquer substância ilícita. Os familiares acreditam que, se Edison tivesse recebido o cuidado adequado, o acidente poderia ter sido evitado.

A Luta por Justiça

Tânia Veiga Hjertquist, mãe de João Augusto, expressou sua indignação: “Não percebi, em nenhum momento, interesse em entender como um comandante adoecido há tanto tempo poderia estar pilotando.” Sua preocupação não se limita apenas ao bem-estar do filho, mas também à segurança de todos os que utilizam serviços de aviação privada. A família está pedindo o desarquivamento do inquérito, alegando que os donos do helicóptero sabiam do estado de saúde do piloto e que o caso merece uma investigação mais aprofundada.

Recomendações do Cenipa

No relatório final, o Cenipa fez recomendações à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), sugerindo que os ensinamentos obtidos com essa investigação fossem divulgados em eventos de promoção da segurança operacional. No entanto, a família de João Augusto critica essa abordagem, pois não há medidas concretas que assegurem a regulamentação do estado de saúde dos pilotos. Atualmente, a ANAC não exige testes toxicológicos para voos privados, o que levanta questões sobre a segurança real dessas operações.

Desigualdade nas Avaliações de Saúde

A avaliação da saúde dos pilotos que atuam na aviação privada é realizada a cada cinco anos, enquanto os pilotos de táxi-aéreo têm seus exames de saúde revisados anualmente. Essa discrepância dá margem a preocupações sobre a segurança e a capacidade dos profissionais que estão pilotando aeronaves privadas, o que poderia afetar a segurança de muitos.

Transformando Dor em Ação

Diante da tragédia, Tânia transformou sua dor em uma luta por mudanças concretas. Ela espera que a história de seu filho sirva como um alerta para que outras vidas não sejam perdidas. “É um caminho de dor, mas um caminho de fé lutar por todos esses homens, jovens, filhos, irmãos e pais que podem perder a vida em trabalho. A sua morte não pode ter sido em vão”, afirmou.

Resposta da ANAC

A ANAC, em resposta aos questionamentos, informou que mantém um contato contínuo com o Cenipa e outros participantes da aviação civil para garantir a segurança operacional. Eles afirmaram que, em caso de incidentes ou acidentes, realizam análises detalhadas para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

Essa luta por justiça e segurança na aviação privada é um lembrete importante de que as vidas humanas não podem ser postas em risco devido à falta de regulamentação e fiscalização adequadas. A dor da perda deve ser um motor para mudanças que preservem vidas no futuro.



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