A Polícia Federal continua tentando esclarecer de onde vieram os 14 mil dólares, algo em torno de R$ 75 mil, que foram encontrados tanto na casa quanto no escritório do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse dinheiro segue sob custódia da PF, enquanto outra parte, R$ 8,3 mil em reais, foi devolvida para uma conta do próprio Bolsonaro. A informação foi revelada por investigadores ao portal Metrópoles.
A apreensão aconteceu durante a operação realizada no dia 18 de julho, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. O episódio gerou repercussão imediata, não apenas pelo valor, mas pelo modo como foi achado: parte do dinheiro estava guardada em uma gaveta de cuecas, no quarto do ex-presidente, e o restante no escritório dele, dentro da sede do Partido Liberal. Essa cena, para muitos críticos, virou até motivo de piada nas redes sociais, onde memes circularam rapidamente.
Já o montante em moeda nacional teve outro destino. Ele foi entregue a uma agência da Caixa Econômica Federal em Brasília, na Asa Sul, e depois transferido direto para a conta de Bolsonaro, num procedimento considerado normal pela PF. A justificativa foi de que não havia necessidade de manter a quantia retida.
Além do dinheiro, os agentes encontraram outros materiais curiosos: uma petição da empresa norte-americana Rumble contra Alexandre de Moraes, um pen drive e alguns papéis com anotações sobre a delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Contudo, esses itens não entraram no inquérito porque foram avaliados como irrelevantes.
Enquanto isso, Bolsonaro e mais sete pessoas ligadas ao chamado “núcleo 1” estão enfrentando julgamento no Supremo. O processo começou na última terça-feira, dia 2, e envolve a acusação de que eles teriam participado de um suposto plano de golpe de Estado logo depois das eleições de 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente. As defesas, como já era esperado, negam com firmeza todas as acusações.
O clima político segue quente. No próximo dia 7 de setembro, quando o Brasil comemora sua Independência, grupos conservadores já organizaram manifestações em diversas cidades do país. O foco será criticar o julgamento, que para eles estaria carregado de parcialidade, e também levantar a bandeira da anistia para os envolvidos nos atos do 8 de janeiro de 2023.
Esse protesto promete ser um termômetro importante. De um lado, apoiadores de Bolsonaro enxergam nas ruas a chance de mostrar força política. Do outro, setores da oposição e parte da sociedade civil veem a movimentação como uma tentativa de pressionar o Judiciário. Vale lembrar que, no ano passado, as manifestações do 7 de setembro também geraram debate intenso, principalmente pelo discurso de Bolsonaro no Rio de Janeiro, que acabou sendo usado até como peça de defesa em outros processos.
O caso do dinheiro apreendido, apesar de parecer um detalhe diante das acusações maiores, acabou se tornando simbólico. Afinal, a imagem de um ex-presidente tendo quantias em dólares escondidas em gaveta de roupas íntimas é, no mínimo, constrangedora. Mesmo sem prova direta de irregularidade, o episódio alimenta críticas sobre a conduta do ex-chefe do Executivo.
De toda forma, a investigação segue em aberto, e a cada semana surgem novos elementos que mantêm o nome de Bolsonaro nos noticiários. Para quem acompanha política, o enredo lembra até uma novela: operações policiais, documentos misteriosos, delações e agora um julgamento que pode marcar a história recente do país.
Independentemente da decisão final do Supremo, o caso já impacta a imagem do ex-presidente e influencia o cenário político de 2024 e 2026, anos de eleições importantes. Se vai se fortalecer como vítima de perseguição ou se desgastar ainda mais, só o tempo – e talvez as ruas no próximo feriado – vão mostrar.