O filho do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, também entrou na lista de pessoas que tiveram dados fiscais acessados de forma indevida por servidores da Receita Federal. A informação foi obtida pela coluna junto a fontes que acompanham de perto a investigação, que segue em sigilo e ainda promete novos desdobramentos.
Segundo relatos dessas fontes, o advogado carioca Rodrigo Fux, filho do magistrado, teria tido sua declaração de Imposto de Renda consultada sem qualquer autorização judicial. Ou seja, alguém entrou onde não devia. E isso, dentro de um órgão que lida justamente com informações extremamente sensíveis da vida financeira de milhares de brasileiros.
O caso não envolve apenas a família de Fux. A advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, também aparece entre os nomes que tiveram seus dados acessados. A revelação foi feita pelo portal Metrópoles, na coluna assinada por Andreza Matais, e acabou aumentando ainda mais a tensão nos bastidores de Brasília.
Os acessos indevidos foram identificados após um rastreamento interno feito pela própria Receita Federal. Inicialmente, a apuração teria sido aberta por iniciativa do próprio órgão. Depois, houve um pedido formal de Moraes, no contexto do chamado Inquérito das Fake News, investigação que já virou protagonista de debates acalorados nas redes sociais e nos corredores do Congresso.
Aliás, esse inquérito, que vem sendo conduzido no âmbito do STF, tem sido alvo constante de críticas e elogios. Tem quem diga que é necessário para conter abusos e ataques às instituições. Outros afirmam que ele avança sinais perigosos. No meio desse cenário polarizado, surgem agora esses acessos suspeitos a dados fiscais de familiares de ministros.
Diante das suspeitas, Moraes determinou uma série de medidas duras. Quatro servidores da Receita, apontados como responsáveis pelos acessos, tiveram seus sigilos quebrados. Além disso, foram afastados das funções públicas, tiveram os passaportes cancelados e passaram a usar tornozeleira eletrônica. Medidas que mostram que o caso é tratado como grave — e é mesmo.
O clima em Brasília, que já andava tenso por causa de disputas políticas recentes e decisões judiciais polêmicas, ficou ainda mais pesado. Conversando com um advogado tributarista nesta semana, ele comentou que o simples fato de alguém acessar uma declaração de IR sem autorização já configura uma quebra séria de confiança institucional. “Se isso vira rotina, o sistema perde credibilidade”, disse ele, meio inconformado.
Procurado pela coluna, Luiz Fux afirmou que ainda não havia sido informado oficialmente de que seu filho estaria entre as vítimas. A declaração chama atenção, até porque o caso já circulava nos bastidores. Pode ser que a comunicação formal ainda não tenha sido feita, ou que o ministro tenha preferido cautela antes de comentar com mais detalhes.
Já a Receita Federal informou que não iria se pronunciar sobre o tema. Silêncio que, convenhamos, acaba alimentando ainda mais especulações. Em tempos em que a transparência é cobrada praticamente em tempo real — principalmente depois de tantos escândalos recentes envolvendo dados e vazamentos — a ausência de uma posição oficial deixa um vazio difícil de ignorar.
No fim das contas, o episódio reacende uma discussão importante: quem fiscaliza os fiscais? A Receita é um dos órgãos mais respeitados do país, mas também é composta por pessoas. E pessoas erram. Ou, em alguns casos, ultrapassam limites.
Enquanto as investigações seguem, a expectativa é que novas informações venham à tona. Porque, quando o assunto envolve Supremo, dados sigilosos e possíveis abusos internos, dificilmente a história termina na primeira manchete.